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Neandertais administravam a dieta de seus bebês como os seres humanos modernos, aponta estudo

Pesquisadores analisaram três dentes de leites para entender quando as crianças pré-históricas começaram a ingerir alimentos sólidos

Alana Sousa Publicado em 04/11/2020, às 12h30

Dentes de leite de Neandertais
Dentes de leite de Neandertais - Divulgação/Federico Lugli

Cada vez mais estudos revelam que nossos hábitos estão mais próximos de espécies pré-históricas do que imaginamos. Uma pesquisa realizada em um trabalho conjunto de pesquisadores europeus mostra como os Neandertais cuidavam de suas crianças de uma maneira semelhante ao de seres humanos contemporâneos.

Análises geoquímicas e histológicas de três dentes de leite, encontrados na Itália, de crianças que viveram entre 70 mil e 45 mil anos atrás conseguiram demonstrar o momento em que elas foram desmamadas e passaram a ingerir, também, alimentos sólidos.

Os especialistas concluíram que os Neandertais inseriram alimentos na dieta de seus bebês quando estes tinham por volta de 5 ou 6 meses de idade. “O início do desmame está relacionado à fisiologia e não a fatores culturais. Nos humanos modernos, de fato, a primeira introdução de alimentos sólidos ocorre por volta de 6 meses de idade quando a criança necessita de um suprimento alimentar mais energético, e é compartilhado por diferentes culturas e sociedades. Agora, sabemos que também os Neandertais começaram a desmamar seus filhos quando os humanos modernos o fazem”, explicou Alessia Nava, da Universidade de Kent.

“Os resultados deste trabalho implicam demandas de energia semelhantes durante a primeira infância e um ritmo próximo de crescimento entre o Homo sapiens e os neandertais. Juntos, esses fatores possivelmente sugerem que os recém-nascidos Neandertais tinham peso semelhante ao de recém-nascidos humanos modernos [...]”, conta Stefano Benazzi, da Universidade de Bolonha. O estudo sugere que apesar de separados por milhares de anos, as duas espécies compartilham de fatores essenciais para a vida e que, afinal, não somos tão diferentes.