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Negociações de paz entre Talibã e governo afegão iniciam após quatro décadas de confronto

A reunião aconteceu no dia 11 de setembro — data de aniversário dos ataques terroristas ao World Trade Center em Nova York

Giovanna de Matteo Publicado em 12/09/2020, às 09h00

Soldados afegãos em base militar
Soldados afegãos em base militar - Pixabay

A Guerra do Afeganistão — que já dura a quatro décadas — deu o primeiro passo significativo para o seu fim nessa última sexta-feira, 11, com o começo das primeiras negociações de paz entre o governo afegão e o Talibã, que aconteceu na capital do Ctar, Doha. 

As negociações estavam marcadas para começar em março, mas foram adiadas diversas vezes ao longo dos meses por conta de um desentendimento entre um acordo EUA-Talibã de fevereiro, que consistia em uma disputa sobre a troca de prisioneiros e a contínua violência no país asiático.

Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA que participou das negociações, chamou a reunião de "histórica" enquanto voava para Doha para a cerimônia de abertura. Um dia antes do evento, o Talibã confirmou que compareceria, depois que um último grupo de seis prisioneiros foi libertado. O chefe da delegação dos líderes afegões, Abdullah Abdullah, afirmou que buscam "uma paz justa e digna". 

Estas são as primeiras conversas diretas entre o Talibã e representantes do governo afegão desde o início da guerra, que começou com a invasão soviética ao país em 1979. Os militantes do Talibã até agora se recusaram a se encontrar com o governo, admitindo-os como "fantoches" americanos e impotentes, mas deixaram claro em reunião que os dois lados almejam a reconciliação política e o fim das várias décadas de violência

O acordo separado entre os Estados Unidos e o Talibã que vem sendo discutido a mais de um ano estabeleceu um cronograma para a retirada das tropas americanas no país, em troca de garantias contra o terrorismo. No entanto, muitos temem que o frágil progresso a respeito dos direitos das mulheres possa ser sacrificado no processo diplomático. 

As negociações exigiram do Talibã uma apresentação de uma nova visão política que seja tangível para o Afeganistão, porém, até agora os objetivos não têm sido vagos, afirmando que desejam um governo "islâmico", mas também "inclusivo". A oposição deseja entender como o grupo militante mudou desde 1990, quando decretou um governo pautado numa interpretação radical da lei islâmica Sharia.