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No Egito, arqueólogos encontram 30 múmias em tumba de 2 mil anos

A descoberta foi feita dentro de uma antiga estrutura familiar de sacrifício queimada pelo fogo perto do rio Nilo, no Egito

Isabela Barreiros Publicado em 27/01/2022, às 16h02

Múmia descoberta na sepultura em Aswan, no Egito
Múmia descoberta na sepultura em Aswan, no Egito - Divulgação/Universidade de Milão

Três dezenas de múmias foram descobertas por pesquisadores dentro de uma tumba familiar de 2 mil anos, cuja entrada estava escondida dentro de uma estrutura de sacrifício queimada pelo fogo perto do rio Nilo em Aswan, no Egito.

Entre os 30 corpos mumificados encontrados no local, estão os de idosos, crianças e um recém-nascido, em uma grande variedade de gerações e períodos históricos diferentes, entre o ptolomaico e romano.

De acordo com Patrizia Piacentini, professora de Egiptologia e Arqueologia Egípcia da Universidade de Milão, co-diretora da escavação, a tumba pode ter servido para sacrifícios, diferentemente dos outros 300 túmulos identificados em torno do Mausoléu de Aga Khan.

Tumba onde as múmias foram descobertas no Egito / Crédito: Divulgação/Universidade de Milão

Ela está situada dentro de uma estrutura maior acima do solo, ao contrário das outras sepulturas que foram encontradas no subsolo ou escavadas em colinas rochosas. Esse fato a tornou especial, além de contar com sinais de fogo nas paredes.

As evidências podem ter sido feitas durante rituais de oferenda, o que colabora para a tese do local de sacrifício. A pesquisa, porém, aponta que elas podem ter sido feitas por ladrões de túmulo, ainda que tenham sido descobertos ossos de animais, mesas de oferendas e restos de plantas na tumba.

Para a teoria, os arqueólogos também ressaltaram a identificação de um vaso de oferendas, que estava quebrado mas continha ainda pequenas frutas; e um colar de cobre gravado com o nome "Nikostratos" ao lado de uma múmia masculina.

Entrada da sepultura onde foram encontrados os corpos mumificados / Crédito: Divulgação/Universidade de Milão

"Parece que, devido à sua localização ao longo de um vale de acesso à necrópole, este edifício foi usado como recinto sagrado onde eram oferecidos sacrifícios ao deus Khnum na forma de áries, deus criador e protetor das cheias férteis do Nilo, particularmente reverenciado em Aswan", explicou Patrizia Piacentini ao portal Live Science.

"Quem melhor do que ele poderia ter propiciado a vida eterna daqueles que descansavam nesta necrópole?", ressaltou.

O túmulo é formado por quatro câmaras e muitas das múmias contam com ótimo estado de preservação. Por isso, a pesquisadora afirmou: "O estudo da nova estrutura descoberta está apenas começando".