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Facas Longas: O grande expurgo nazista

Há 84 anos, nazistas saíam às ruas para exterminar outros nazistas, que haviam esgotado sua utilidade

sexta 29 junho, 2018
Noite das Facas Longas Capa FB
Noite das Facas Longas Capa FB Foto:

Era noite de 30 de junho de 1934 quando Adolf Hitler, acompanhado por membros da Schutzstaffel (SS) e da Gestapo, invadiu um hotel na cidade de Bad Wiessee, na Baviera, e ordenou a morte de pelo menos 85 filiados ao Partido Nazista considerados possíveis opositores no futuro. Até o dia 2 de julho, outras centenas de pessoas, incluindo comunistas e antigos inimigos, foram presas e executadas.

Nomeado chanceler em 30 de janeiro de 1933, Hitler já tinha sua autoridade bem consolidada em junho de 1934 – em 24 de março de 1933 o Reichstag aprovara a Lei Habilitante, que dava a Hitler poderes ditatoriais.

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Investindo na militarização, ele criou tropas fortemente treinadas e equipadas, como a Sturmabteilung (SA, algo como “Destacamento Tempestade”), organização paramilitar ligada ao Partido Nazista que funcionava como uma milícia, que intimidava adversários políticos, como comunistas e sociais democratas. Liderados pelo capitão Ernst Röhm, os membros da SA, chamados de camisas pardas devido à cor do uniforme que usavam, eram conhecidos por travarem violentas batalhas de rua contra os comunistas.

Ernst Röhm Wikimedia Commons

Desde que chegara ao poder, Hitler demonstrava insatisfação em relação ao desempenho da SA e aos rumos que a organização estava tomando. Röhm apoiava abertamente a ideia de uma “segunda revolução”, que teria o objetivo de redistribuir a riqueza entre as camadas da população, sob o seu comando. Ele também desejava transformar seus três milhões de soldados no núcleo do Exército Nazista, o que ameaçava o  Reichswehr, o Exército oficial alemão, e seu líder, Werner von Blomberg.

Além disso, Röhm não era bem visto entre os líderes nazistas. Era acusado de ser fraco e egoísta – a qualquer momento, suas ambições pessoais poderiam causar uma revolta popular e derrubar o regime nazista. Sua homossexualidade, ignorada enquanto ele fora útil, agora era levantada como uma escandalosa acusação.

Para acabar com o problema e evitar um choque maior com os outros militares, Hitler planejou um expurgo contra a SA, atacando diretamente sua própria organização paramilitar.

Em 24 de junho, o chefe da SS, Heinrich Himmler, e o chefe de segurança da SS, Reinhard Heydrich, falsificaram documentos que sugeriram que Röhm planejava um golpe para derrubar Hitler. Em seguida, listaram todas as pessoas que poderiam ameaçar o Partido e, por isso, deveriam ser eliminadas. Em 27 de junho, Hitler reuniu um grupo especial para a operação e planejou todos os passos.

Reinhard Heydrich, chefe de segurança da SS Wikimedia Commons

Na noite de 30 de junho para 1º de julho, o grupo armado de Hitler seguiu para um hotel em Bad Wiessee, onde havia sido marcado um encontro entre os membros da SA. A maioria dos chefes e soldados foi retirada de suas camas, presa e executada no local.

Röhm foi detido pelo próprio Hitler – que, marchando para dentro de seu quarto, gritou “você está preso, seu porco!” – e levado a uma prisão em Munique. Em 1º de julho, Röhm recebeu um revólver e 10 minutos para cometer suicídio, ao que teria dito “se eu serei morto, deixe o Sr. Hitler fazer isso”. Quando o tempo se esgotou, um oficial da SS matou Röhm com um tiro à queima roupa.

Hitler aproveitou o expurgo para perseguir antigos inimigos, opositores ao regime nazista. Entre eles estava o vice-chanceler Franz Von Papen, que havia discursado contra o nazismo. Preso, ele foi liberado e proibido de fazer qualquer referência ao regime. Mas o secretário de Papen, Herbert von Bose, e o autor de seu discurso antinazista, Edgar Jung, foram perseguidos e mortos. Gregor Strasser, ex-nazista que deixou o Partido em 1932, também foi executado.

Hitler desfilando com a nova SA Wikimedia Commons

Ao fim de 2 de julho, pelo menos 85 pessoas já haviam sido mortas e centenas aprisionadas. Posteriormente, o episódio ficou conhecido como Noite das Facas Longas, referência a um verso de uma das canções da SA.

Após o expurgo, o presidente Hindenburg deu os parabéns ao chanceler pela “decisão e coragem exemplar” e por ter agido rapidamente contra seus inimigos. A SA foi reformulada e passada ao comando de Victor Lutze. Mas, a partir de então, a repressão de condutas consideradas ameaçadoras se tornou padrão do regime nazista.

Letícia Yazbek


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