Notícias » América

Nos EUA pré-coloniais, viajantes se consolavam nos tempos difíceis em "festa da ostra" na Flórida

Novo estudo revelou uma festividade importante na América do Norte, onde grandes massas viajavam a uma ilha durante tempos de crise, para se unirem

André Nogueira Publicado em 04/05/2020, às 06h00 - Atualizado às 08h51

Ostras
Ostras - Wikimedia Commons

Um novo estudo revelou informações inéditas sobre migrações corriqueiras que ocorriam na América do Norte há mais de mil anos, quando habitantes do sudeste viajariam regularmente à Ilha Roberts, no Golfo da Flórida, para uma festividade cujo prato principal eram as ostras. Segundo a pesquisa, povos originários mantiveram uma tradição secular de reuniões festivas no local.

Um pequeno grupo de moradores do local manteria uma pirâmide de conchas, fruto dessa forma de socialização, e promoveriam essa liturgia durante a fuga de regiões mais distantes por conta de mudanças climáticas e crises sociais. É destacado que a região da Flórida passava por dificuldades aos pés do século 7 a. C., mas isso não impediu a continuidade da festa, pois haveria um compromisso social com a comunidade, como afirma Trevor Duke, do Museu de História Natural da Flórida, em seu trabalho.

"O que eu achei mais convincente foi o fato de as pessoas estarem tão interessadas em manter seus laços com essa paisagem no meio de toda essa mudança climática e abandono em potencial", disse Duke ao Heritage Daily. “Eles ainda fazem um esforço para colher todas essas ostras e manter essas relações sociais ativas. Essas reuniões provavelmente ocorreram quando diferentes grupos de pessoas estavam se reunindo e tentando descobrir o futuro.”

Ilha Roberts, em meio ao golfo / Crédito: Thomas J. Pluckhahn, Universidade da Flórida

 

Descoberta foi possível a partir de análises arqueológicas de restos de animais encontrados no local, que eram essencialmente lixo de cozinha: veados, jacarés, tubarões foram revelados nos arredores, enquanto na Ilha Roberts, apenas “ostras e muito pouco”. Isso revelou um dos maiores sobreviventes de localidades estritamente cerimoniais no leste da América do Norte.

"Estas eram comunidades muito cosmopolitas", lembrou Duke. "Havia essa rede de intercâmbio recíproco de longa distância acontecendo em grande parte do leste dos EUA da qual Crystal River fazia parte". Enquanto se esperava que os fluxos massivos não ocorressem em demasia, dada as dificuldades ocorridas e atestadas na época estudada, mas enquanto outros locais decaias, a Ilha Roberts parecia se fortalecer como espaço de união social.