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Nos EUA, testes de Covid-19 já contaminados foram distribuídos, afirma jornal

Erro foi cometido pelo CDC desde fevereiro e acabou sendo revelado pelo New York Times

André Nogueira Publicado em 22/04/2020, às 10h50

Teste bucal de Covid-19
Teste bucal de Covid-19 - Wikimedia Commons

Nos EUA, uma falha técnica causada pela pressa na distribuição de testes para Covid-19 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) resltou na disseminação de aparelhos já contaminados pelo coronavírus. A insólita confusão, divulgada recentemente pelo The New York Times, estaria acontecendo desde fevereiro. Falhas do tipo estão resultaram desconfianças em relação aos resultados das análises no país em meio à pandemia.

Há tempo, o CDC vinha apresentando uma posição de discrição em relação aos testes não confiáveis detectados pela sociedade civil, defendendo que houve um problema na produção do reagente necessário para a análise. No entanto, foi percebido que a falha estava no grupo controle do teste, que tem que estar negativo para uma comparação conclusiva. Com a contaminação, é impossível saber se os dados coletados nos pacientes apresentam a infecção.

A causa da contaminação parece ter sido negligência por parte dos produtores do kit, que entravam e saiam dos laboratórios sem a troca do jaleco e reutilizavam testes ou os montavam em ambiente com amostras contaminadas. Não se sabe ainda o impacto do erro nas novas contaminações do coronavírus, mas é confirmado que o tropeço levou ao aumento do risco de proliferação, pois a confirmação da contaminação de pacientes foi adiada por conta de análises inconclusivas.

Kit distribuído pelo CDC / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ainda estão sendo calculados os impactos desse violento erro, no país que é o atual epicentro da pandemia mundial, com mais de 760 mil casos. Como a contaminação não ocorreu no local do kit em que se coleta as amostras das mucosas, nenhum paciente entrou em contato direto com as partes contaminadas.

“Foi simplesmente trágico”, afirmou ao The New York times Scott Becker, diretor da Associação de Laboratórios de Saúde Pública. “Todo o tempo em que estávamos sentados esperando, eu realmente senti que cá estávamos em uma das situações mais críticas da história da saúde pública, a nossa maior ferramenta estava faltando”.