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Nos últimos 25 anos oceanos absorveram o calor equivalente a 3,6 bilhões de explosões de bombas de Hiroshima, relata estudo

A temperatura do oceano em 2019 é maior que a média registrada entre os anos de 1981 e 2010

Fabio Previdelli Publicado em 15/01/2020, às 11h07

Imagem de um Iceberg
Imagem de um Iceberg - Getty Images

Um estudo, realizado por uma equipe internacional de 14 cientistas de 11 universidades de todo o mundo, afirma que o aumento da temperatura nos oceanos vem crescendo de maneira muito mais rápida, sendo que a última década — em especial os cinco anos finais desse período — foi o espaço de tempo mais quente da história dos oceanos.

A pesquisa, que foi publicada na revista Advances in Atmospheric Science, estima que os oceanos absorveram o calor equivalente a 3,6 bilhões de explosões  de bombas, como a de Hiroshima, nos últimos 25 anos. Esse número é equivalente a cinco bombas de Hiroshima explodindo a cada segundo.

Além do mais, a temperatura da água em 2019 foi de 0,075 graus Celsius mais alta que a média entre os anos de 1981 e 2010 — tornando-se, assim, a maior já registrada desde que esse tipo de levantamento começou a ser feito. Para atingir tal marca, os oceanos receberam 228 sextilhões de joules.

Os cientistas afirmam que as temperaturas mais altas foram registradas entre a superfície do mar e os primeiros 2 mil metros de profundidade, e indicam que o motivo do aquecimento seria o aumento exponencial da emissão de gases que retêm o calor na atmosfera.

O pesquisador da Academia de Ciências Chinesa, Lijing Cheng, fez um alerta sobre as graves consequências que o constante aumento da temperatura média nos oceanos pode acarretar. “O preço que pagamos é a redução de oxigênio liberado no oceano, as vidas marinhas lesadas, o aumento das tormentas e a redução da pesca e das atividades relacionadas ao oceano".