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Bunkers secretos na Polônia escondiam armas nucleares da União Soviética

Eles foram construídos na Guerra Fria e ninguém sabia de sua existência ou localização até agora

Alana Sousa Publicado em 22/01/2019, às 13h39 - Atualizado às 16h38

O bunker em Podborsko: a câmara principal possui um guindaste e rampa de carga, bem como um sistema de refrigeração e ventilação
Grzegorz Kiarszys

A Guerra Fria acabou há quase 30 anos, mas ainda nos deparamos com segredos que naquela época eram guardados a sete chaves – que acabaram perdidas. Agora, uma descoberta revelou a existência de três bunkers soviéticos secretos na Polônia. Os bunkers, hoje abandonados, foram muito bem escondidos, após suas construções foram apagados dos registros e não constavam em nenhum mapa.

O arqueólogo e professor adjunto do Instituto de História e Relações Internacionais da Polônia, Grzegorz Kiarszys, ao investigar arquivos de imagens de satélite desclassificadas e analisar imagens de edifícios encontrou os locais, documentos soviéticos daquele período descreveram os lugares como centros de comunicações, mas ao realizar a primeira investigação em profundidade das instalações encontradas, Kiarszys descobriu o principal propósito dos bunkers: armazéns de armas nucleares.

No estudo, Kiarszys analisou as três instalações abandonadas: uma perto da cidade de Podborsko, outra em de Brzezina Kolonia e a última perto de Templewo. Foram construídas no final dos anos 1960 e eram semelhantes aos que os soviéticos usaram durante a Guerra Fria para abrigar armas nucleares na Alemanha Oriental, Checoslováquia, Hungria e Bulgária. O arqueólogo percebeu que não só serviam para armazenar armas, mas também como abrigo para militares. Entre eles jovens soldados completando seu treinamento, oficiais não comissionados e oficiais com suas famílias.

O bunker soviético em Podborsko, na Polônia Grzegorz Kiarszys

Em entrevista ao Livescience, Grzegorz Kiarszys contou que os mísseis nucleares armazenados nos locais eram provavelmente ogivas táticas destinadas a partes da Europa, no caso de uma futura guerra: “Essas ogivas seriam usadas na chamada Frente Norte, para a invasão da parte norte da Alemanha ocidental e da Dinamarca".

A Polônia financiou e construiu os três bunkers de acordo com os planos fornecidos pelos soviéticos, completando o trabalho em dezembro de 1969 e transferindo o controle dos edifícios para as tropas russas, disse Kiarszys. Depois disso, apenas as tropas russas tiveram acesso a essas instalações, explica.

Alguns testes para verificar sinais de radiação foram realizados nos bunkers, porém nada foi encontrado. O que levanta uma dúvida importante para os estudiosos: seria os altos padrões de segurança que não permitiu uma contaminação ou os bunkers não foram de fato usados para armazenar os armamentos? Não podem afirmar ainda essa questão.

As descobertas foram publicadas on-line na First View, uma prévia da edição de fevereiro da revista Antiquity.