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Novo estuda indica que dente encontrado em caverna do Irã pertenceu à criança Neandertal

O achado se torna a primeira evidência direta da espécie nos Zagros iranianos

Fabio Previdelli Publicado em 21/08/2019, às 11h00

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- Crédito: Reprodução

Um novo estudo sobre um dente humano, descoberto em 1999, na caverna de Wezmeh, perto de Kermanshah, a oeste do Irã, mostrou que a dentição que antes se pensava ser de um ser humano moderno, na verdade pertenceu a uma criança neandertal.

Jebrael Nokandeh, diretor do Museu Nacional do Irã, disse que os resultados deste novo estudo, publicado essa semana no Journal of Human Evolution, provam definitivamente que os neandertais viveram na região da Cordilheira de Zagros. Dada a importância histórica da descoberta, o achado será exibido em breve na Galeria Paleolítica do Museu Nacional do Irã.

Segundo Fereidoun Biglari, chefe do Departamento Paleolítico do Museu e coautor do artigo, “este dente pertenceu a uma criança Neandertal que tinha entre seis e dez anos de idade”. A descoberta foi feita durante o Projeto de Pesquisa Arqueológica de Islamabad, no final dos anos 90. “Este dente humano foi estudado várias vezes desde então, usando vários métodos”.

Entrada da caverna de Wezmeh / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas como se chegou a essa conclusão só agora?

Biglari explicou que o espécime foi reanalisado com imagens de microtomografia de raios X, revelando que a estrutura do dente, principalmente a junção esmalte-dentina, se aproxima com a dentição dos neandertais, que é distinta dos humanos modernos. O achado se torna a primeira evidência direta da espécie nos Zagros iranianos.

Além do dente Neandertal, um grande número de fósseis de animais extintos — incluindo o leão das cavernas, hienas-malhadas, rinoceronte e gado selvagem — assim como outras — como leopardos, lobos, raposas, javalis e cervos — também foram encontrados na caverna.

O local era um antro carnívoro durante a Idade do Gelo, quando os predadores carregavam as carcaças dos animais. O achado permite uma riqueza de novas informações sobre os predadores da região de entre 11 mil e 700 mil anos atrás.