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Novo estudo aponta que cremação mais antiga do Oriente Próximo data de 7 mil a.C

Restos mortais de jovem adulto encontrados em Israel indicam que a tradição começou muito antes do que se pensava

Isabela Barreiros Publicado em 12/08/2020, às 17h37

Restos mortais encontrados em Beisamoun, Israel
Restos mortais encontrados em Beisamoun, Israel - Divulgação/PLOS ONE

Uma nova pesquisa publicada na revista científica PLOS ONE indica que a cremação mais antiga feita no Oriente Próximo data de 7 mil a.C. A afirmação foi feita a partir da descoberta de uma antiga cova, que foi usada para a prática, no sítio arqueológico de Beisamoun, no norte de Israel.

Os achados arqueológicos usados na pesquisa datam de 7013-6700 a.C., o que faz com que eles sejam os primeiros. Ao realizar análises tanto no enterro quanto nos restos do corpo encontrado no local, os pesquisadores puderam perceber que esse cadáver provavelmente foi incinerado, iniciando o que viria a se tornar uma prática milenar.

"O tratamento funerário envolveu a cremação in situ dentro de uma pira de um indivíduo adulto jovem que sobreviveu a uma lesão por projétil de sílex - o inventário dos ossos e sua posição relativa apoiam fortemente o depósito de um cadáver articulado e não de ossos deslocados”, afirma Fanny Bocquentin, membro do Centro Nacional Francês para Pesquisa Científica (CNRS) e autor do artigo.

Segundo o especialista, os ossos investigados demonstram que eles foram aquecidos a temperaturas de mais de 500° C pouco tempo depois da morte do indivíduo, identificado como um jovem adulto. Além disso, foram encontradas evidências de plantas, que podem ter sido usadas como combustível para o fogo.

As questões apontadas pelo estudo indicam, assim, que o corpo foi intencionalmente cremado, ou seja, não foi um acidente com fogo. Para Bocquentin “esta é uma redefinição do lugar dos mortos na aldeia e na sociedade."