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Número de despejos no campo é o maior desde 2016, segundo relatório de pesquisa

Comissão Pastoral da Terra revelou um aumento anual de 16% nas expulsões por conflito, atingindo níveis inesperados. Maranhão é um dos estados mais criticados

André Nogueira Publicado em 25/04/2020, às 08h00 - Atualizado às 10h47

Conflito de terra
Conflito de terra - Divulgação

Uma nova pesquisa realizada pela Comissão Pastoral da Terra revelou que, até o final de 2019, o Brasil apresentou um aumento de 16% nos despejos de famílias no campo, atingindo níveis recordes sendo apenas superados pelo ano de 2016. De acordo com as estatísticas, Mato Grosso representa o maior índice de casos; e o Paraná sofreu com maior número de despejos, revelando o aumento da perseguição a líderes campesinos no país.

Segundo o relatório, nomeado Conflitos no Campo 2019, foram registrados 1.254 conflitos de terra no Brasil e 106 despejos em assentamentos rurais, resultando na perda da base de subsistência de 10.362 famílias. Também foi apontado o aumento da área disputada entre camponeses e grandes proprietários: 53 milhões de hectares de terra, o que equivale ao estado da Bahia.

Outro dado revela uma progressão contraditória: ao mesmo tempo em que existe uma redução de 20% de expulsões feitas por entes privados, há o massivo aumento da violência e pistolagem em ações de reiteração. Segundo dados, houve mais de dez mil casos de uso de armas de fogo contra camponeses, além da destruição de 1.826 casas e 2.212 roças conflitos.

Aumento dos conflitos de terra no Brasil / Crédito: Comissão Pastoral da Terra

 

“Embora existam mecanismos de mediação, como no caso do Paraná, temos uma ação das forças policiais em operações de despejo e reintegrações de posse que legitimam o proprietário a acirrar os conflitos pela posse de terras”, afirmou Maíra Moreira, assessora jurídica da organização Terra de Direitos ao Observatório do Agronegócio no Brasil. “Essa articulação entre Executivo e Judiciário, tanto estadual como federal, legitima conflitos com populações mais vulneráveis”.

Em termos de conflito de terras, o Maranhão é o estado com maior índice, e o atual governado Flávio Dino (PCdoB) vem sendo alvo de fortes críticas de defensores dos Direitos Humanos, por conta da violência das reintegrações por forças do estado.

Norte, Nordeste e Centro-Oeste somam 81% dos casos de conflito. Com 76% de aumento, Paraná, governado por Ratinho Jr. (PSD), teve o maior aumento de casos do país.