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O que faz o lado oculto da Lua ser bem diferente do que imaginamos?

Estudo buscou respostas na maior cratera de impacto da Lua, que tem aproximadamente 2.600 quilômetros por 8 km de profundidade

Fabio Previdelli Publicado em 12/04/2022, às 13h00

Comparação entre o lado visível (esq.) e oculto (dir.) da Lua
Comparação entre o lado visível (esq.) e oculto (dir.) da Lua - Divulgação/NASA

Embora estejamos acostumados a vê-la quase todas as noites, a Lua ainda segue alvo de enorme curiosidade não só do imaginário popular como também da comunidade científica. E, sem dúvida alguma, um dos assuntos que mais aguça esse interesse é o lado oculto de nosso satélite natural

Do lado visível, podemos notar a presença de crateras e também de uma região um pouco mais escura, que é chamada de mare lunar — uma enorme planície basáltica que foi originada por antigas erupções de material incandescente.

Um fato curioso, porém, é que o lado oculto da Lua também está coberto por enormes marcas e crateras, mas, a mare não se faz presente por lá. Mas o que ocasionou isso? Por que as duas faces de nosso satélite natural são tão distintas?

Para tentar responder essas questões, pesquisadores da Brown University analisaram a maior cratera de impacto da Lua, que é conhecida como bacia do Polo Sul-Aitken (ou SPA). Os resultados foram divulgado em artigo da Science Advances.

Para se ter uma noção de sua dimensão, o buraco tem aproximadamente 2.600 quilômetros por 8 km de profundidade. Acredita-se que isso foi causado pela colisão de um enorme e maciço corpo celeste desconhecido, como um planeta anão, por exemplo. 

Esse impacto também teria sido responsável por criar uma enorme nuvem de calor que acabou se espalhando pelo interior de nosso satélite natural, o que acabou levando materiais para o lado visível da Lua, ajudando na criação das planícies vulcânicas. 

Sabemos que grandes impactos como o que formou o SPA criariam muito calor”, aponta o principal autor do estudo, Matt Jones, doutorando na Universidade de Brown, em comunicado divulgado à imprensa. 

“A questão é como esse calor afeta a dinâmica interior da Lua. O que mostramos é que sob quaisquer condições plausíveis no momento em que o SPA se formou, ele acaba concentrando esses elementos produtores de calor no lado próximo”, diz. “Esperamos que isso tenha contribuído para o derretimento do manto que produziu os fluxos de lava que vemos na superfície”.

Com isso, as planícies vulcânicas acabaram se ‘tornando casa’ de diversos elementos que são raros em outros lugares da Lua, como potássio, fósforo, entre outros — conhecido como terreno Procellarum KREEP (PKT).

Assim os pesquisadores fizeram uma simulação computadorizada de como o calor que foi gerado acabou alterando os padrões de transferência de calor no interior de nosso satélite; e como isso também pode ter contribuído para o KREEP se espalhar pelo manto lunar. 

“Como o PKT se formou é sem dúvida a questão em aberto mais significativa na ciência lunar”, prossegue Jones. “E o impacto do Polo Sul-Aitken é um dos eventos mais significativos da história lunar. Este trabalho reúne essas duas coisas e acho que nossos resultados são realmente empolgantes”.