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Objeto extraterrestre originou cratera em São Paulo, diz estudo

Com 3,6 km de diâmetro, a cratera de Colônia está localizada em Parelheiros, zona sul da capital

Redação Publicado em 21/12/2021, às 07h26

Local da cratera, em Parelheiros, na zona sul de São Paulo
Local da cratera, em Parelheiros, na zona sul de São Paulo - Divulgação/Victor Velázquez Fernandez

Uma cratera de 3,6 km de diâmetro localizada em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, teria sido formada a partir do impacto de um corpo extraterrestre. A afirmação, realizada no ano de 2013, recentemente recebeu maiores evidências. É o que diz o geólogo Victor Velázquez, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP).

Com cerca de 300 metros de profundidade, a cratera de Colônia, como é chamada a formação, possui uma borda soerguida de 120 metros. Ela está localizada a menos de 40 km da Praça da Sé e ficou escondida até o começo dos anos 1960 devido a sedimentos e vegetação. 

De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, o estudo de Velázquez foi apresentado em um artigo na revista científica Solid Earth Sciences, intitulado "Morphological aspects, textural features and chemical composition of spherules from the Colônia impact crater, São Paulo, Brazil".

O pesquisador já havia realizado outras pesquisas sobre a cratera envolvendo uma análise microscópica de sedimentos retirados de diferentes níveis de profundidade no local, entre outras técnicas, mas, agora, pôde ter outros tipos de informações importantes sobre sua possível origem. 

"Encontramos esférulas no interior da cratera, em profundidades de 180 a 224 metros, cuja forma só pode ser explicada pelo impacto de um corpo extraterrestre, que gerou temperaturas da ordem de 5.000ºC e pressões da ordem de 40 quilobars — equivalentes a 40 mil vezes a pressão atmosférica padrão", diz o geólogo no texto.

Conforme afirma o cientista, o fato das esférulas terem sido encontrados na parte interna é bastante raro, já que, geralmente, os impactos ejetam sedimentos para fora.

"Nossa explicação é que a energia do impacto transformou as rochas existentes no local em uma nuvem densa e superaquecida. Esse material foi lançado para cima, congelou e voltou a cair na base da recém-formada cratera", declarou.

Ainda assim, o geólogo ressalta que ainda não foi possível obter uma conclusão definitiva quanto ao impacto que produziu a cratera, o que precisará de mais investigações em um futuro próximo. 

"Embora desconheçamos o tamanho do objeto, a velocidade e o ângulo de incidência, por comparação com outros impactos, podemos dizer que a colisão gerou uma devastação de 20 km de raio. Outro aspecto que ignoramos também é a data do evento, estimada, por enquanto, em um intervalo de 5 milhões a 36 milhões de anos no passado", explicou Velázquez.