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Olhos arregalados e boca aberta: Ao acaso, estátua de nobre ou deusa de 500 anos é descoberta no México

Pesquisadora explica que o artefato pode representar tanto uma mulher rica quanto uma divindade, ou ainda uma mistura entre as duas

Isabela Barreiros Publicado em 12/01/2021, às 07h00

Estátua descoberta no México
Estátua descoberta no México - Divulgação - Instituto Nacional de Antropologia e História

Na região de Huasteca, próxima às ruínas de El Tajín, no México, agricultores descobriram uma enorme estátua representando uma figura feminina enquanto cavavam um pomar, totalmente ao acaso. O Instituto Nacional de Antropologia e História foi responsável pela análise do artefato.

Com mais de dois metros de altura, o objeto retrata uma mulher que possui olhos arregalados, boca aberta, uma peruca majestosa e símbolos de que ela possuía status elevado na sociedade em que possivelmente vivia. Mas ainda não se sabe exatamente quem era ela.

Crédito: Divulgação - Instituto Nacional de Antropologia e História

 

“Esta poderia ser uma governante, com base em sua postura e vestimenta, mais do que uma deusa”, disse a arqueóloga María Eugenia Maldonado Vite, do instituto. Segundo a pesquisadora, é possível ainda que ela seja “uma fusão tardia entre as deusas Teem e mulheres de alto status político ou social no Huasteca”.

A escultura data do período entre 1450 e 1521 d.C. e apresenta influências astecas. “Há algumas representações pré-hispânicas de mulheres de elite e governantes em outros lugares, mais conhecidas entre os maias clássicos, mas também em baixos-relevos zapotecas clássicos e códices mixtecas pós-clássicos”, explicou Susan Gillespie, professora da Universidade da Flórida.

“Os documentos astecas da era colonial mencionavam mulheres governantes ou pelo menos detentoras da coroa para passar para seus sucessores ... então isso não é uma surpresa”, disse. Segundo a acadêmica, as mulheres eram valorizadas no período pré-hispânico, mas acabaram perdendo status depois da conquista.