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ONU define morte do menino Miguel como caso de "racismo sistêmico"

O caso do garoto chocou o Brasil e sua história foi citada pelo relatório, que fala sobre Pessoas de Descendência Africana

Pamela Malva Publicado em 29/09/2020, às 14h30

O pequeno Miguel Otávio ao lado da mãe, Mirtes Souza
O pequeno Miguel Otávio ao lado da mãe, Mirtes Souza - Divulgação/Youtube

Em junho deste ano, o pequeno Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, faleceu após cair do 9º andar de um prédio em Recife. Agora, segundo o UOL, o caso que mobilizou o Brasil foi usado como exemplo de “racismo sistêmico” em documento da ONU.

Produzido pelo Grupo de Trabalho da organização, o texto traz dados e narrativas sobre Pessoas de Descendência Africana. Dessa forma, a morte de Miguel foi usada para ilustrar como certas populações tornam-se vulneráveis durante a pandemia.

Segundo o texto, é possível perceber que, ao redor do mundo, "falhas em avaliar e mitigar riscos associados à pandemia e ao racismo sistêmico levaram a fatalidades". "No Brasil, a trágica morte de Miguel Otávio Santana da Silva, uma criança afro-brasileira de 5 anos de idade, foi um desses casos", afirma o documento.

Miguel Otávio ao lado da mãe, Mirtes Souza / Crédito: Divulgação/Youtube

 

O relatório da ONU ainda pontuou que a situação das empregadas domésticas, “consideradas essenciais” no Brasil, apenas reforça a vulnerabilidade de alguns grupos. Segundo o texto, muitas mulheres “trabalham seis dias por semana, o que sugeriria que situações precárias são mais a norma do que a reconhecida”.

Por fim, o documento também falou sobre as condições nas favelas, destacando o aumento de operações militares e da violência. "Brasileiros de descendência africana se queixam de impunidade e a falta de recursos", explica o texto, que, em seguida, pontua o aumento 36% nas mortes causadas por policiais nos últimos três meses no país.