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ONU divulga lista de empresas envolvidas na ocupação ilegal israelense da Cisjordânia

Ao serem cúmplices dos crimes de Israel contra as populações árabes, essas corporações privadas infringem artigos relevantes do direito internacional

André Nogueira Publicado em 13/02/2020, às 11h09

Posto de segurança em Qalandiya, Cisjordânia
Posto de segurança em Qalandiya, Cisjordânia - Wikimedia Commons

Nesta quarta-feira, 12, o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas emitiu um relatório inédito divulgando o nome de empresas que estão envolvidas em transações comerciais em regiões de colonização ilegal israelenses na Cisjordânia. Na lista, estão as corporações Airbnb, Expedia, TripAdvisor, Motorola, General Mills, Egis Rail e JC Bamford Excavators.

Segundo o Al Jazeera, o órgão identificou 112 entidades empresariais envolvidas diretamente com assentamentos israelenses, sendo 18 delas cúmplices em ocupações fora do país.

"Estou consciente de que esta questão foi e continuará sendo altamente controversa", anunciou Michelle Bachelet, que chefia a Comissão de Direitos humanos da ONU, em comunicado de seu escritório. A ex-presidente do Chile relatou que antes da divulgação, todas as empresas passaram por uma meticulosa investigação para impedir a divulgação de falsas informações.

Michelle Bachelet é Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU / Crédito: Wikimedia Commons

 

O ministro palestino Riyad al-Maliki comemorou a exposição das companhias, chamando o relatório da ONU de "vitória do direito internacional".

"A publicação desta lista de empresas e entidades que operam nos assentamentos é uma vitória do direito internacional e dos esforços diplomáticos", afirmou em comunicado.

Com as denúncias, o futuro da atuação dessas empresas em regiões ilegais pode estar em jogo. De acordo com a repórter Stephanie Dekker, da Al Jazeera, o relatório “não tem nenhuma legalidade em termos de implementação de consequências para essas empresas, mas as abre ao potencial para qualquer movimento de desinvestimento e sanções de boicote”.

O primeiro-ministro palestino Mohammed Shtayyeh afirmou que disse que se esforçará para que as empresas citadas “fechem imediatamente sua sede e filiais em assentamentos ilegais de Israel”.