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Operação da PF encontra indícios de documentação falsa em esquema de exportação ilegal de madeira

A investigação, que têm Ricardo Salles como um de seus alvos, também sugeriu a 'lavagem' de produtos florestais. Entenda!

Pamela Malva Publicado em 21/07/2021, às 14h00

Fotografia do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles
Fotografia do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles - Getty Images

Desde maio deste ano, nove funcionários do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente, incluindo o ex-ministro Ricardo Salles, passaram a ser investigados pela operação Akuanduba. Agora, de acordo com informações do G1, uma perícia da Polícia Federal encontrou indícios de um suposto esquema de exportação ilegal de madeira.

Segundo os investigadores, as provas encontradas sugerem que houve uma "lavagem" de produtos florestais. Nesse processo, os funcionários investigados tentaram legalizar a madeira extraída de forma ilegal usando documentos "ideologicamente falsos".

Tais informações foram coletadas com a ajuda do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos da América, que é um órgão equivalente ao Ibama nos EUA. Foi assim que a PF identificou um "possível grave esquema de conluio entre agentes públicos brasileiros e particulares" no Brasil e nos Estados Unidos.

Imagem meramente ilustrativa de troncos de madeira / Crédito: Divulgação/ Pixabay/ janakudrnova

 

De acordo com o delegado Franco Perazzoni, então, a investigação “demonstrou que a origem dos produtos florestais que foram exportados por meio do contêiner TCNU7091944 apresentou DOFs [Documento de Origem Florestal] emitidos mais de oito meses após o final dos sinais de exploração florestal detectados em imagens de satélite”.

[Esse tipo de emissão] é bastante inusual e reforça a possibilidade de 'lavagem' de produtos florestais de outras áreas a partir de documentos emitidos por essa origem", narrou o delegado.

Ainda de acordo com o relatório emitido pela PF, “dúvida não há de que os produtos florestais apreendidos pelas autoridades norte-americanas ou são oriundos, em sua maior parte, de áreas de concessão florestal no interior da Florestal Nacional de Altamira, ou foram extraídos de outras áreas, provavelmente próximas, mas legalizados por meio de documentos ideologicamente falsos dessas mesmas concessões".

Além da documentação emitida após a extração dos materiais ambientais, contudo, o grupo analisado pela operação Akuanduba ainda é investigado pelos crimes de corrupção, prevaricação, advocacia administrativa e facilitação ao contrabando, sendo que todos esses delitos que são considerados infrações contra a administração pública.