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Organizadores de manifestação de extrema-direita são condenados a pagar R$ 140 milhões em indenizações

O episódio aconteceu em 2017 em Charlottesville, nos EUA, causou uma morte e deixou inúmeras pessoas feridas

Isabela Barreiros Publicado em 24/11/2021, às 08h54

Manifestantes de extrema-direita em Charlottesville, nos EUA, em 2017
Manifestantes de extrema-direita em Charlottesville, nos EUA, em 2017 - Getty Images

Organizadores de uma manifestação de extrema-direita em Charlottesville, nos EUA, em 2017, foram julgados por um júri na última terça-feira, 23, que tomou a decisão de condená-los a pagarem mais de US$ 25 milhões, cerca de R$ 140 milhões em indenizações.

No ano do incidente, quatro feridos e pessoas que passaram a lidar com um “estresse profundo e incapacitante” causado pelo evento abriram um processo civil contra os membros responsáveis pela marcha "Unite the Right" (Unir a Direita). A ação demorou para avançar e só foi finalizada recentemente.

Os manifestantes nacionalistas brancos haviam se organizado para protestar contra a decisão da prefeitura de Charlottesville de retirar uma estátua do general Robert E. Lee, líder dos estados escravistas do sul durante a Guerra Civil Americana, entre 1861 e 1865, segundo relata o UOL.

O protesto começou no dia 11 de agosto, quando neonazistas e supremacistas brancos carregaram tochas em uma marcha, mas perdurou até o dia seguinte. James Fields bateu seu carro em uma multidão e causou a morte de Heather Heyer, uma mulher de 32 anos, e feriu 19 pessoas.

Segundo o júri, não houve conspiração federal, a qual constava em duas acusações do caso civil. Ainda assim, considerou os manifestantes de extrema-direita culpados de conspiração civil e outras acusações a partir da lei estadual da Virgínia.

Os réus são 12 pessoas e cinco grupos neonazistas e nacionalistas brancos que organizaram e participaram da marcha. Entre eles estão o Movimento Nacional Socialista e o Vanguard America.

Para Roberta Kaplan, advogada dos demandantes, a decisão do júri é "uma mensagem de que este país não tolera violência baseada no ódio racial e religioso sob qualquer formato". "E que ninguém jamais voltará a levar violência às ruas de Charlottesville, Virgínia, porque agora eles sabem o que acontecerá se o fizerem", afirmou.