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Notícias / Guerreiro Griffin

O 'guerreiro Griffin', encontrado em túmulo de 3.500 anos

Túmulo de guerreiro grego foi descoberto em 2015 por uma equipe de arqueólogos da Universidade de Cincinnati

por Giovanna Gomes

ggomes@caras.com.br

Publicado em 09/03/2023, às 21h00

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Ágata de Combate retratando cena entre três guerreiros - Divulgação / Universidade de Cincinnati
Ágata de Combate retratando cena entre três guerreiros - Divulgação / Universidade de Cincinnati

Em maio de 2015, um olival situado no sul da Grécia se tornou o cenário de uma descoberta impressionante: arqueólogos encontraram o túmulo de um homem que, mais tarde, ficaria conhecido como "Guerreiro Griffin". Junto aos restos mortais, os profissionais encontraram também uma série de artefatos importantíssimos, o quais podem nos ajudar a entender as origens da cultura micênica.

Túmulo do guerreiro

Localizado próximo a Pilos, na península do Peloponeso, o túmulo do Guerreiro Griffin foi encontrado em uma área que já havia sido extensivamente escavada no século 20. Justamente pelo fato de muitos pensarem que não havia mais nada de mais a ser encontrado na região, a descoberta foi motivo de grande entusiasmo.

Localizados quilômetros ao norte da praia de Voidokilia, próxima à cidade moderna de Pilos, na Grécia, o Palácio de Nestor e o túmulo do Guerreiro Griffin são marcos notáveis da região do Peloponeso. De acordo com a tradição grega, essa praia foi onde Telêmaco encontrou Nestor enquanto procurava por seu pai, Ulisses, em "A Odisseia".

O Palácio de Nestor / Crédito: Wikimedia Commons / Photosiotas

Cultura micênica

Conforme informou o portal National Geographic, o Peloponeso foi o epicentro da civilização micênica. O nome deriva da região de Micenas, que ficava no nordeste do Peloponeso durante a Idade do Bronze.

A cultura micênica atingiu seu auge por volta de 1300 a.C., e utilizou uma forma de escrita que hoje é reconhecida como precursora da escrita grega antiga.

Em 2015, a Universidade de Cincinnati, comandada pelos professores Sharon "Shari" Stocker e Jack Davis, retomou seu trabalho em Pylos, com foco em um olival ao nordeste do Palácio de Nestor. A equipe ficou surpresa ao descobrir, logo abaixo da superfície, uma estrutura retangular de quase oito metros de comprimento que se revelou um túmulo de poço. Este método de enterro foi praticado na era micênica mais antiga.

Artefato com entalhes de touros encontrado no túmulo / Crédito: Divulgação / Universidade de Cincinnati

Intacta e coberta por uma laje quebrada, a câmara funerária continha restos e também objetos funerários, o que incluía armas, vasos e joias. Entre os artefatos de maior destaque estava uma placa de marfim adornada com um grifo, de onde viria o nome "Guerreiro Griffin".

Ao removerem a laje, os arqueólogos perceberam que a quantidade e a qualidade dos itens funerários excediam todas as expectativas. Várias armas de bronze foram encontradas ao lado dos restos mortais, incluindo uma adaga, uma espada longa, os restos de uma armadura bastante deteriorada e um capacete feito a partir de presas de javali. Além disso, havia no local uma grande espada de mais de três metros de comprimento com um punho banhado a ouro.

Cremação ou enterro

As análises preliminares indicaram que o Guerreiro Griffin, que foi encontrado envolto em uma mortalha e colocado em um sarcófago de madeira, era um homem na casa dos 30 anos de idade. Porém, devido ao estado de deterioração do corpo, as circunstâncias de sua morte não são claras.

A descoberta do túmulo, como ressalta a fonte, nos mostra que, ao contrário das práticas funerárias descritas na Ilíada e na Odisseia, a cultura micênica da época optava pelo enterro, em vez da cremação. A equipe agora tenta determinar a data mais precisa possível do túmulo e de seu conteúdo.

Vale ressaltar, porém, que a análise do solo ao redor do túmulo confirmou que ele remonta ao final da Idade do Bronze, sendo ainda mais antigo que o Palácio de Nestor. Stocker e Davis estimam que o túmulo do Guerreiro Griffin foi provavelmente construído entre 1500 e 1450 a.C.