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Ossadas humanas são encontradas em casa de Alfredo Stroessner, ex-ditador paraguaio

Além de torturar opositores, o tirano também se envolveu em casos de pedofilia e estupro. Os restos humanos foram encontrados por manifestantes

Vinícius Buono Publicado em 06/09/2019, às 10h00

Alfredo Stroessner
Alfredo Stroessner - Reprodução

Manifestantes encontraram ossos humanos em residência que pertenceu a Alfredo Stroessner, ex-ditador que governou o Paraguai de 1954 a 1989.

A casa está localizada em Ciudad del Este, fronteira com o Brasil. O terreno onde ela se localiza é conhecido como Casa do Terror por conta das torturas que ali ocorriam na época. Os restos mortais foram encontrados no que parece ter sido uma banheira.

No dia 24 de agosto, aproximadamente 300 famílias ocuparam o imóvel. Os parentes de pessoas mortas ou desaparecidas durante a ditadura foram ao local para identificar as ossadas. A Comissão de Direitos Humanos, o Ministério Público e a Equipe Nacional para Investigação, Busca e Identificação de Pessoas Detidas e Desaparecidas entre 1954 e 1989 (ENABI) fizeram parte das investigações.

Stroessner voltou aos holofotes em fevereiro deste ano, quando foi elogiado pelo presidente Jair Bolsonaro, que o chamou de “homem de visão” e “estadista”.

O ditador, cujo regime foi marcado pela posição anticomunista e pró-americana, ascendeu ao poder em 1954 por eleição indireta e seus 35 anos de governo foram marcados pela corrupção e forte repressão e tortura aos opositores.

Ele também concedeu cidadania a nazistas que fugiram após a guerra, como Eduard Roschmann, o açougueiro de Riga, e Josef Mengele, famoso médico de Auschwitz que morreu no Brasil na década de 70.

Um pedófilo, Stroessner mantinha haréns de meninas entre 10 a 15 anos, estupradas repetidamente por ele e seus ministros. Estima-se que ele tenha sido responsável pelo abuso de mais de 1.600 crianças.

Além disso, em seu governo, entre 3.000 e 4.000 pessoas morreram, vítimas da perseguição política. Um relatório de 2008 da Comissão de Verdade e Justiça determinou que foram 18.772 torturados e 3.470 exilados no período.