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Osso de cão pré-histórico revela de vez quando os humanos chegaram às Américas, aponta pesquisa

Um novo estudo pretende colocar um fim no antigo debate da migração da Ásia para o continente americano

Alana Sousa Publicado em 01/03/2021, às 12h40

Imagem de uma pesquisadora segurando o fragmento de osso canino
Imagem de uma pesquisadora segurando o fragmento de osso canino - Divulgação/Universidade de Buffalo

A edição do final de fevereiro da revista científica Proceedings da Royal Society B trouxe uma descoberta surpreendente. Segundo um estudo da Universidade de Buffalo, em Nova York, os humanos chegaram às Américas, acompanhados por seus cães, 2 mil anos antes do que imaginávamos.

A pesquisa utilizou um fragmento de osso canino encontrado em uma caverna do Alasca para entender como e quando os homens pré-históricos decidiram cruzar o mundo. De acordo com os resultados, o fóssil é de um fêmur de um cão que viveu há 10.150 anos, um dos mais antigos da América.

Como explica a bióloga evolucionária da Universidade de Buffalo, Charlotte Lindqvist: “O movimento e a domesticação dos cães estão obviamente muito, muito intimamente associados aos humanos. Então, o interessante é que, se você está seguindo o movimento dos cães, isso pode dizer algo sobre os humanos também”.

Analisando também o ancestral do animal, pode-se concluir que eles se dividiram da linhagem dos cães siberiano 16.700 anos atrás; sendo assim, teria sido nessa época que os humanos deixaram a Ásia.

A descoberta pode revolucionar o que sabíamos sobre a chegada do homem na América. Isso, pois, uma das principais teorias dizia que os humanos pré-históricos teriam cruzado uma ponte de terra no Alasca, entretanto, essa ponte estaria coberta por gelo na datação da nova pesquisa.

A equipe apontou uma alternativa: eles teriam cruzado a costa do  Pacífico, possivelmente de barco, seguindo para o sul. A arqueóloga da Durham University, Angela Perri, afirma que “pelo menos cerca de 16.700 anos atrás, humanos e cães pareciam estar se mudando para as Américas”. Concluindo que “isso seria quase 2.000 anos antes do que pensávamos”.

Para a tese ser comprovada de vez, é necessário uma investigação detalhada em outros fósseis de cães antigos, que podem apoiar a ideia da equipe de Buffalo.

Sobre arqueologia

Descobertas arqueológicas milenares sempre impressionam, pois, além de revelar objetos inestimáveis, elas também, de certa forma, nos ensinam sobre como tal sociedade estudada se desenvolveu e se consolidou ao longo da história. 

Sem dúvida nenhuma, uma das que mais chamam a atenção ainda hoje é a dos egípcios antigos. Permeados por crendices em supostas maldições e pela completa admiração em grandes figuras como Cleópatra e Tutancâmon, o Egito gera curiosidade por ser berço de uma das civilizações que foram uma das bases da história humana e, principalmente, pelos diversos achados de pesquisadores e arqueólogos nas últimas décadas.