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Ossos de 20 mil anos podem ser de cão de estimação mais antigo do mundo

Encontrados na Itália, os restos mortais podem ajudar a entender o começo da relação entre o cão e o homem

Isabela Barreiros Publicado em 08/09/2020, às 16h23

Mandíbula do cachorro encontrado no sul da Itália
Mandíbula do cachorro encontrado no sul da Itália - Divulgação/Universidade de Siena

No mês passado, em agosto, pesquisadores encontraram ao menos dois esqueletos que podem ter pertencido aos primeiros cachorros domesticados do mundo em duas cavernas que remontam ao período paleolítico, a Caverna Paglicci e a Caverna Romanelli, ambas no sul na Itália.

Os pesquisadores acreditam que esses ossos descobertos podem datar de ao menos 14 mil anos atrás, mas a data mais antiga pode chegar a até 20 mil anos. “Isso documenta inequivocamente uma das primeiras ocorrências de domesticados no Paleolítico Superior da Europa e no Mediterrâneo”, explicou o líder da pesquisa publicada na revista científica Scientific Reports, Francesco Boschin, da Universidade de Siena.

A origem da relação entre o cão doméstico e o homem ainda não possui uma resposta definitiva aceita pela maioria dos pesquisadores. Para o pesquisador, essas restos mortais “também podem representar a evidência até agora ausente do processo evolutivo que levou ao cão, o primeiro animal domesticado”.

Crédito: Divulgação/Universidade de Siena

 

No entanto, Boschin já evidencia uma possibilidade pertinente para esse estudo. Durante o Último Máximo Glacial, animais começaram a passar por uma situação de falta de comida, buscando também abrigo em regiões mais quentes. 

“Neste período de grave crise, o lobo, um predador social de alguma forma semelhante ao homem, encontrou uma nova maneira de garantir a sobrevivência: aproveitando um novo nicho, comendo os restos de assentamentos humanos”, explicou. 

Com esse processo, é possível ainda que os indivíduos tivessem percebido as vantagens de terem animais como seus companheiros. Assim, eles podem ter tentado acelerar esse processo de domesticação ao matarem a prole mais agressiva de lobos, por exemplo, para que apenas os mais calmos se reproduzissem.