Notícias » Brasil

Ovos de espécie ameaçada de extinção são encontrados na Chapada dos Veadeiros, em Goiás

Com apenas 250 membros adultos da espécie vivendo no mundo, o pato-mergulhão já é considerada uma espécie rara, porém, achado dá esperança aos biólogos

Fabio Previdelli Publicado em 03/12/2020, às 12h00

Pato-mergulhão com seus filhotes
Pato-mergulhão com seus filhotes - Divulgação/ ICMBio

Considerada uma espécie rara bem próxima de ser extinta na natureza, o pato-mergulhão, originalmente, ocupava diversas áreas ribeirinhas do Brasil, como as margens do São Francisco. Além do mais, a ave também era encontrada nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do país e em outros lugares da América do Sul, como a Argentina e o Paraguai.  

Porém, hoje, a realidade é outra, afinal, existem apenas 250 indivíduos adultos no mundo — todos eles no Brasil. Mas uma descoberta, em setembro, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, jogou uma nova luz sobre essa espécie.  

Por lá, membros do Plano Nacional de Ação para a Conservação do Pato-Mergulhão (PAN Pato-Mergulhão), projeto que une profissionais em busca da salvação da espécie, encontraram um ninho com nove ovos

"Cada filhote e cada ninho ativo que encontramos são um fio de esperança para salvar a espécie", disse o biólogo Paulo Antas, membro da Fundação Pró-Natureza (Funatura) e integrante do PAN Pato-Mergulhão, em entrevista à BBC.  

Apesar do achado animador, somente três filhotes conseguiram sobreviver ao primeiro mês de vida. Porém, ainda assim, a notícia não é considerada tão ruim, muito pelo contrário. Isso porque, essa taxa de mortalidade é considerada normal na espécie, que são bastante frágeis e altamente dependentes dos pais quando crescem.  

"No primeiro mês de vida, são os pais que alimentam os filhotes. Qualquer desequilíbrio no habitat, ou uma pequena queda, já pode significar um perigo para esse filhote", explica Antas. 

Mas o ponto mais positivo disso tudo é justamente a região em que os ovos foram achados, que se demonstrou um habitat saudável para a reprodução do animal, que depende de águas limpas e transparentes, principalmente, de rios e córregos.  

“A reprodução do pato-mergulhão é complicada, exige bastante energia da fêmea e muito cuidado com os filhotes. Às vezes, um pequeno degrau na cachoeira, que para a gente é coisa pequena, pode ser fatal para um filhote", conclui o biólogo.