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Paciente não poderá receber transplante de coração por não estar vacinado

A decisão segue a política do Brigham and Women's Hospital, em Boston, nos Estados Unidos

Isabela Barreiros Publicado em 26/01/2022, às 10h25

DJ Ferguson, americano que está internado no Brigham and Women's Hospital
DJ Ferguson, americano que está internado no Brigham and Women's Hospital - Divulgação/CBS

Um paciente não poderá receber um transplante de coração em um hospital dos Estados Unidos por não estar vacinado contra a covid-19. A decisão da obrigatoriedade do imunizante está relacionada às chances da operação ser bem sucedida.

Segundo David Ferguson, pai de DJ Ferguson, de 31 anos, que está internado desde 26 de novembro de 2021, o filho foi retirado da lista embora necessite urgentemente de um novo coração. Ele não recebeu o imunizante pois vai contra os "princípios básicos de seu filho, ele não acredita nela".

O Brigham and Women's Hospital, situado em Boston, nos Estados Unidos, se posicionou em nota, afirmando que a decisão segue a política seguida pela instituição. Em comunicado enviado à BBC, o hospital afirmou:

"Dada a escassez de órgãos disponíveis, fazemos tudo o que podemos para garantir que um paciente que recebe um órgão transplantado tenha a maior chance de sobrevivência".

Segundo um porta-voz, exige-se "a vacina Covid-19 e comportamentos de estilo de vida para os candidatos a transplante para criar a melhor chance de uma operação bem-sucedida e otimizar a sobrevivência do paciente após o transplante, já que seu sistema imunológico é drasticamente suprimido".

Ferguson sofre de um problema cardíaco hereditário que faz com que seus pulmões sejam preenchidos por sangue e fluido. Ele é pai de dois filhos e está à espera de um terceiro. Segundo a família, o paciente está fraco demais para ser transferido a outra clínica.

"Meu garoto está lutando com muita coragem e tem integridade e princípios em que realmente acredita e isso me faz respeitá-lo ainda mais", disse David. "É o corpo dele. É a escolha dele”, acrescentou.

Em entrevista à emissora CBS News, o chefe de ética médica da NYU Grossman School of Medicine, Arthur Caplan, explicou que um transplante de órgão faz com que o sistema imunológico de um paciente seja praticamente desligado. Um simples resfriado pode matá-lo.

"Os órgãos são escassos, não vamos distribuí-los para alguém que tem poucas chances de viver quando outros vacinados têm mais chances de sobreviver após a cirurgia", afirmou o especialista.