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Pacto pela Democracia: Organizações repudiam texto que celebra Golpe

Recentemente, o Ministério da Defesa exaltou o Golpe de Estado de 1964

Redação Publicado em 31/03/2022, às 14h25 - Atualizado às 14h27

Tanques em Brasília durante a ditadura militar
Tanques em Brasília durante a ditadura militar - Divulgação/Wikimedia Commons/Arquivo Público do Distrito Federal/Domínio público

Após o Ministério da Defesa publicar uma nota na qual se referiu ao Golpe Militar de 1964 — que nesta quinta-feira, 31, completa 58 anos — como um "marco histórico da evolução política brasileira", organizações se manifestaram contra o ocorrido.

No texto enviado para a imprensa, o ‘Pacto pela Democracia’, iniciativa que conta com mais de 200 organizações, ressaltou a importância de se defender a democracia.

As organizações que assinam a nota — entre elas o Instituto Vladimir Herzog e a Casa Marielle Franco Brasil — também pontuaram que repudiam as tentativas de ‘celebrar’ o Golpe.

“As organizações da sociedade civil aqui signatárias vêm a público reforçar seu compromisso com a democracia brasileira e manifestar repúdio às recorrentes tentativas de se reescrever a história brasileira ao ‘celebrar’ o golpe civil-militar ocorrido em 31 de março de 1964”, diz a nota.

O texto continua:

“O período recente da história brasileira tem sido marcado por ataques à democracia e às instituições com perseguição de opositores e vozes dissidentes, como membros da sociedade civil organizada, jornalistas, artistas e ativistas. Todos os pilares democráticos estabelecidos pela Constituição Federal de 1988 vêm sendo ampla e gravemente atacados pelo atual governo federal ao longo dos últimos três anos, sendo o processo eleitoral um alvo recorrente e primordial de tais investidas”.

“O nosso compromisso é com a construção de uma sociedade democrática, livre de censura, perseguições e violência institucional, e por isso, seguiremos atuantes, vigilantes e na luta”, finaliza o ‘Pacto pela Democracia’.

Sabe-se que durante os 21 anos do regime militar no Brasil, 434 pessoas foram mortas e mais de 20 mil brasileiros e brasileiras foram vítimas de tortura, segundo a Comissão Nacional da Verdade, CNV.