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Paleontólogos resolvem mistério de fóssil de 240 milhões de anos

Há quase 200 anos, pesquisadores estudam a espécie para entender se ela era um animal marinho ou terrestre

Isabela Barreiros Publicado em 06/08/2020, às 14h53

Representação do Tanystropheus
Representação do Tanystropheus - Divulgação/Emma Finley-Jacob

Há 168 anos, o fóssil de uma espécie denominada Tanystropheus foi descrita pela primeira vez. No entanto, o animal era uma incógnita: durante muito tempo, imaginou-se que se tratava de um pterossauro voador devido aos seus longos ossos ocos, que, nesse caso, deveriam fazer parte da sustentação de sua asa.

Essa tese não persistiu. O que se concluiu é que esses ossos faziam parte do longo pescoço do animal. A partir dessa análise, considerou-se que ele era um réptil de seis metros de comprimento. Mas o questionamento não parou aí: ao longo dos anos, foram descobertos espécimes menores. Seriam estes jovens ou uma espécie nova e diferente?

Comparação do T. hydroides, T. longobardicus e um ser humano / Crédito: Divulgação/Emma Finley-Jacob

 

Para solucionar essa dúvida, pesquisadores realizaram um estudo, que foi publicado na revista científica Current Biology, utilizando uma tecnologia moderna para desenvolver uma tomografia computadorizada dos crânios.

"Tanystropheus parecia um crocodilo atarracado com um pescoço muito, muito longo", disse Olivier Rieppel, paleontologista do Field Museum em Chicago e co-autor da pesquisa. "Esse pescoço não faz sentido em um ambiente terrestre", diz ele. "É apenas uma estrutura estranha para carregar".

A partir dos anéis de crescimento nos ossos, os paleontólogos perceberam que se tratavam de espécies diferentes de Tanystropheus. "Observamos seções transversais de ossos do tipo pequeno e ficamos muito empolgados ao encontrar muitos anéis de crescimento. Isso nos diz que esses animais eram maduros", afirmou Torsten Scheyer, pesquisador da Universidade de Zurique e co-autor da pesquisa. O menor ficou com o nome de Tanystropheus hydroides e o menorTanystropheuslongobardicus. 

Representação do Tanystropheus hydroides / Crédito: Divulgação/Emma Finley-Jacob

 

Mas a pesquisa foi além disso: fora o fato de serem espécies diferentes, foi possível comprovar que uma delas vivia na terra e a outra, no mar. Características como narinas no topo do focinho, como as de um crocodilo, perfeitas para pegar presas escorregadias como peixes, indicaram que ele era um animal marinho.

"É extremamente significativo descobrir que havia duas espécies bastante separadas desse réptil de pescoço bizarramente comprido que nadavam e viviam lado a lado nas águas costeiras do grande mar de Tethys, aproximadamente 240 milhões de anos atrás", afirmou Nick Fraser, do National Museums Scotland e que também escreveu o artigo.