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"A pandemia é uma emergência em que a humanidade se colocou sozinha", diz Fritjof Capra

Para o físico e escritor austríaco, a Covid-19 é uma resposta biológica do planeta contra os abusos sociais e ambientais que vem sofrendo ao longo dos anos

Redação Publicado em 21/10/2021, às 13h55

Fotografia meramente ilustrativa de pessoas de máscara andando no metrô
Fotografia meramente ilustrativa de pessoas de máscara andando no metrô - Divulgação/ Pixabay/ useche70

Autor de livros como "O Tao da Física" e "Visão sistêmica da Vida", o físico e escritor que desenvolve um trabalho na promoção da educação ecológica, Fritjof Capra, foi palestrante na edição 2021 do no Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp), nesta quarta-feira (20), sob a moderação de Leandro Reis, vice-presidente médico e de serviços externos da Rede D'Or São Luiz.

Durante 45 minutos, Capra dissertou sobre colocar o ser humano como o maior responsável pelo que passamos nestes 18 meses de pandemia da Covid-19

"Nenhum dos nossos problemas globais - meio-ambiente, emergência climática, desigualdade econômica, pandemia de Covid - pode ser entendido de forma isolada. São problemas sistêmicos e estão interconectados", diz o estudioso.

"Entendo que o Corona deve ser visto como uma reposta biológica do nosso planeta, uma emergência ecológica e social que a humanidade acabou se colocando sozinha. É um desequilibro que tem consequências dramáticas e terríveis. Numa pandemia, você reconhece rapidamente que a densidade da população é chave. E essa densidade é uma consequência de maximizar os lucros, as receitas, sejam em turismo maciço, ou em condições de desigualdades econômica e social, que faz as pessoas morarem perto umas das outras", explica.

Para Capra, o ser humano precisa parar de perseguir um crescimento perpétuo baseado no consumo excessivo, alimentado pelo materialismo e pela cobiça. Isso consome recursos do planeta que não se repõem imediatamente, e à medida que consumimos mais, damos menos tempo ainda para que ele se recupere.

"A ideia não é barrar o crescimento, mas buscar um que seja qualitativo, que melhore a qualidade de vida das pessoas e não se baseie no crescimento do PIB, mas em um sistema complexo em que cada parte traz sua contribuição para o todo. As quantidades podem ser medidas, mas as qualidades precisam ser mapeadas, é diferente".

Nesse sentido, para o escritor, a evolução já não é vista como uma luta competitiva pela existência, mas como uma série de elementos cooperativos em que a criatividade e o surgimento constante da novidade estão capitaneando a evolução. "Essa nova ciência de qualidade está aparecendo e despontando", afirma o escritor.

Não há barreiras sociais e econômicas capazes de parar um vírus. E isso ficou claro durante a pandemia. "Durante uma pandemia, a justiça social não é um aspecto político, é uma questão de vida ou morte. Uma pandemia como essa só pode ser resolvida a partir de ações colaborativas", alerta.

"Talvez os historiadores do futuro vejam que a longo prazo a humanidade entendeu que fosse mais seguro trabalhar como comunidade se mantendo longe da extinção", finalizou com otimismo o estudioso.