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Papa Bento XVI afirma que a Revolução Sexual dos anos 1960 foi a causa dos abusos na Igreja Católica

Em uma carta publicada nesta quinta-feira, 11, o papa emérito disserta em 18 páginas o colapso mental sofrido pela Igreja durante a Revolução

Alana Sousa Publicado em 12/04/2019, às 14h00

Papa Bento XVI
Papa Bento XVI - Getty Images

Em uma carta publicada nesta quinta-feira, 11, o papa emérito Bento XVI, de 91 anos, afirmou que os abusos ocorridos na Igreja Católica foram incitados pela Revolução Sexual da década de 1960.

Intitulado “A Igreja e os Abusos Sexuais”, o texto de 18 páginas foi publicado na revista católica alemã Klerusblatt. O documento foi dividido em três partes e está causando polêmica até mesmo entre os teólogos.

Na primeira parte, o religioso apresenta um contexto atual sobre a questão a ser debatida. No começo do argumento ele lamenta o rompimento de padrões de sexualidade que aconteceram durante os anos 1960. Ele ainda culpa filmes pornográficos, imagens de nudez e roupas indecentes pelo colapso mental dentro da Igreja.

“A teologia moral católica tinha entrado num colapso que deixou a Igreja indefesa contra as mudanças na sociedade. A revolução sexual fez a pedofilia ser diagnosticada como permitida e adequada”, escreveu o clérigo.

Logo em seguida, Bento disserta sobre como a Revolução fez com que bispos da Igreja tentassem criar um novo e mais moderno catolicismo. “A revolução sexual gerou grupos de homossexuais nos seminários”, afirmou o religioso.

A conclusão da carta é focada em promover um “retorno à fé”. Segundo ele, a pedofilia só chegou ao ponto que está hoje por causa da ausência de Deus na sociedade.

Com a publicação da carta muitos condenaram a ação de Bento XVI. Joshua McElwee, especialista em Vaticano, contou em entrevista à revista National Catholic Reporter que a carta não menciona as questões estruturais que permitiram que os abusos fossem encobertados.

Julie Rubio, teóloga católica da Universidade Santa Clara, escreveu em sua rede social que a carta era "profundamente perturbadora".

O papa emérito, que durante seu papado foi acusado diversas vezes de fortalecer o sistema que encobertava os casos de abuso e pedofilia dentro de sua instituição religiosa, apenas respondia que a solução era a “obediência e amor pelo Senhor Jesus Cristo”.

O atual líder mundial do catolicismo, Papa Francisco, comentou em um discurso no início deste ano que é preciso “medidas concretas” para enfrentar o problema, e não somente “condenações simplórias e óbvias”.

A Revolução Sexual da década de 1960, citada no texto, foi um movimento que lutou pela liberdade sexual, promovendo uma mudança nas normas impostas para relações interpessoais e maior aceitação do sexo, da pílula anticoncepcional, da nudez e tolerância para homossexuais no mundo ocidental.