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Papa Francisco condena ‘cultura do cancelamento’

O pontífice criticou a prática que, segundo ele, vem invadindo ‘muitos âmbitos e instituições públicas’

Isabela Barreiros Publicado em 10/01/2022, às 10h19

Papa Francisco em 2014
Papa Francisco em 2014 - Getty Images

O papa Francisco ressaltou sua opinião sobre a prática da “cultura do cancelamento”, em que pessoas seriam excluídas por opiniões consideradas questionáveis, durante um discurso dado a embaixadores estrangeiros no Vaticano nesta segunda-feira, 10.

Para o pontífice, o fenômeno possui um objetivo hipotético de "proteção da diversidade", mas, na verdade, seria responsável por acabar com "qualquer senso de identidade" a partir da implementação do "pensamento único".

"O déficit de eficácia de muitas organizações internacionais também se deve às diversas visões entre seus membros sobre os objetivos que elas deveriam buscar”, começou o papa em sua fala, como repercutiu a agência de notícias ANSA.

Ele continuou: “Não raro, o centro de interesse se deslocou para assuntos de natureza divisiva e não estritamente ligados à finalidade da organização, com agendas cada vez mais ditadas por um pensamento que renega os fundamentos naturais da humanidade e as raízes culturais que constituem a identidade de muitos povos".

Segundo Francisco, trata-se de uma forma de "colonização ideológica que não deixa espaço para a liberdade de expressão e que hoje assume cada vez mais a forma da 'cultura do cancelamento', que invade muitos âmbitos e instituições públicas".

"Em nome da proteção da diversidade, acaba-se por anular qualquer sentido de identidade, com o risco de calar as posições que defendem uma ideia respeitosa e equilibrada. Vai surgindo um pensamento único, perigoso, forçado a renegar a história ou, pior ainda, a reescrevê-la com base em categorias contemporâneas", completou.