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Papa Francisco retira termo “secreto” de arquivos oficiais do Vaticano

O pontífice ainda declarou que liberará os registros de Pio XII — acusado de não falar o suficiente sobre o holocausto — antes do prazo estimado

Fabio Previdelli Publicado em 29/10/2019, às 10h42

Papa Francisco
Papa Francisco - Getty Imagens

Os Arquivos Secretos do Vaticano, que contém milhares de documentos armazenados em mais de 12 séculos, não são mais secretos. A novidade foi revelada pelo Papa Francisco. Na última segunda-feira (28), o Vaticano declarou que o vasto acervo de documentos, manuscritos e papiros de papa anteriores será oficialmente conhecido como Arquivo Apostólico do Vaticano.

A intenção de Francisco é remover todas as conotações negativas da palavra latina “secretum”. Ele disse que a mudança de nome refletiria melhor a realidade do arquivo e "seu serviço à igreja e ao mundo da cultura".

O pontífrice ainda afirmou que o arquivo está aberto a estudiosos há muito tempo e que ele próprio decretou que os registros do Papa Pio XII da época da Segunda Guerra Mundial seriam abertos a pesquisadores antes da previsão inicial de 2 de março de 2020.

Pio XII é acusado por muitos judeus por não falar o “suficiente” sobre o holocausto. Em contraponto, o Vaticano alega que ele preferiu trabalhar nos “bastidores”, já que uma possível intervenção poderia piorar a situação de judeus e católicos nos tempos de guerra.

O Arquivo Apostólico do Vaticano possui documentos sobre o julgamento da Inquisição contra Galileu Galilei / Crédito: Getty Imagens

 

O Arquivo Apostólico do Vaticano contém documentos sobre a vida da Igreja Católica universal que datam desde o século 8 até o presente. Ao todo, o acervo possui 600 coleções diferentes, organizadas em 85 quilômetros de prateleiras espalhadas em dois andares de cimento armado em um cofre subterrâneo, conhecido como “The Bunker”.

Os documentos mais preciosos, incluindo antigos manuscritos banhados a ouro e os atos do julgamento da Inquisição contra o Galileu Galilei — que foi condenado por heresia por ensinar que a Terra gira em torno do sol — são mantidos em salas seguras, com umidade e clima controlados.

Entre outras coisas, o acervo também possuem cartas do rei Henrique 8º para se divorciar de Catarina de Aragão e para se casar com Ana Bolena, o que resultou na separação da Igreja inglesa da Igreja Católica em Roma em 1534.