Notícias » Entretenimento

Para Brian May, Queen não seria considerado diverso hoje: 'Seríamos forçados a ter uma pessoa trans'

O guitarrista criticou a decisão do Brit Awards de eliminar suas categorias por gêneros para incluir pessoas não-binárias

Isabela Barreiros Publicado em 25/11/2021, às 13h00

Queen durante sessão fotográfica para o single 'Bohemian Rhapsody'
Queen durante sessão fotográfica para o single 'Bohemian Rhapsody' - Divulgação/EMI

Brian May disse que a banda Queen não seria considerada diversa o suficiente hoje em dia, afirmando que o grupo, formado em 1970, no Reino Unido, provavelmente seria criticado pela falta de pessoas de “diferentes cores e sexos” entre seus membros.

A declaração ocorreu logo após um anúncio do Brit Awards. Acontece que a premiação decidiu eliminar suas categorias por gêneros, com o objetivo de ser mais inclusiva com pessoas que não se identificam com nenhum deles, como os artistas não-binários.

A premiação não irá mais dividir as categorias de "Melhor Artista" e "Melhor Artista Internacional" entre "masculino" e "feminino", uma decisão que o guitarrista afirmou ter sido “tomada sem pensamento prévio”, segundo a NME.

“Há muitas coisas que funcionam bem e estão bem assim. Estou farto que as pessoas tentem mudar as coisas sem pensarem nas consequências a longo prazo. Há coisas que representam uma melhoria, outras não”, disse.

Para May, há "um clima de medo, porque as pessoas têm medo de dizer o que realmente pensam. Acho que muitos pensam: 'Espera aí, isto não está bem', mas não têm coragem de falar. A certa altura vai haver uma explosão qualquer".

Ele comparou o contexto com o surgimento do Queen e afirmou que a banda poderia não ser bem recebida hoje pela falta de diversidade entre seus membros. No entanto, também destacou a presença de Freddie Mercury no grupo.

[Hoje] seríamos forçados a ter pessoas de diferentes cores, sexos, ter uma [pessoa] trans. Você sabe, a vida não tem que ser assim. Podemos ser separados e diferentes”, declarou.

"Por exemplo, o Freddie veio de Zanzibar, não era britânico nem era bem branco — e ninguém queria saber, nem nunca se falou disso. Era músico, era nosso amigo, era nosso irmão. Nunca pensámos: 'Será que devíamos trabalhar com ele? Será que é da cor certa? Da orientação sexual certa? Isso nunca aconteceu. Acho assustador que, agora, tenhamos de ser tão calculistas em relação a tudo”, concluiu o artista.