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Pedaço de cerâmica pode ser “elo perdido” da história da escrita alfabética

Peça de 3,5 mil anos, que foi encontrada na antiga cidade de Tel Lachish, "é um dos primeiros exemplos de escrita alfabética antiga encontrado em Israel”, diz pesquisador

Fabio Previdelli Publicado em 18/04/2021, às 08h00

Pedaço de cerâmica de 3,5 mil anos
Pedaço de cerâmica de 3,5 mil anos - Divulgação/Austrian Academy of Sciences

Durante escavações na antiga cidade de Tel Lachish, em Israel, arqueólogos austríacos encontraram uma peça de cerâmica de 3.5 mil anos, com inscrições alfabéticas. Pertencente a Idade do Bronze, a peça está sendo considerada um “elo perdido” na história da escrita alfabética pelos pesquisadores, segundo informou a Galileu.  

Pesquisas anteriores, como explica a revista, já haviam evidenciado que um tipo de alfabeto foi desenvolvido na península do Sinai por volta do ano 1800 a.C.

Posteriormente, especialistas passaram a acreditar que esse sistema alfabético se espalhou pelo Levante do Sul — que hoje corresponde à região de Israel, Palestina e Jordânia — por volta de 1300 a.C. 

Depois disso, ele começou a se espalhar pelo Mediterrâneo e, eventualmente, se desenvolveu junto aos alfabetos gregos e latinos. Apesar disso, ainda faltava uma peça que ligava a escrita entre o Sinai e sua chegada ao Levante.  

Porém, com o achado recente, esse elo pode se completar agora. “Este fragmento é um dos primeiros exemplos de escrita alfabética antiga encontrado em Israel”, declarou Felix Höflmayer, principal autor da descoberta e pesquisador da Academia Austríaca de Ciências, em comunicado emitido para a imprensa. 

Com pouco mais de 4 centímetros de altura, o fragmento datado de cerca de 1450 a.C. parece ter pertencido a uma borda de uma tigela que foi importada da Ilha do Chipre. A tradução do que está escrito nela ainda é uma incerteza, embora os pesquisadores acreditem que o nome de alguém possa estar grafado ali, ou até mesmo a palavra “escravo” ao lado da palavra “mel” ou “néctar”. 

“A mera presença [da peça de cerâmica] nos leva a repensar o surgimento e a proliferação do alfabeto primitivo no Oriente Próximo”, diz o pesquisador. “A proliferação do alfabeto primitivo no sul do Levante costumava ser datada do século 14 ou 13 a.C e era vista como um subproduto do domínio egípcio da região durante aquele tempo”, conta. 

Porém, como explica Höflmayer, o fragmento foi introduzido bem antes disso e de uma maneira independente de outros povos. Neste período, a região de Tel Lachish era tão importante que chegou a ser mencionada em diversos antigos documentos egípcios. Provavelmente, ela recebia materiais importados do Egito, Chipre e do Mar Egeu. 

O artigo detalhando mais informações sobre a pesquisa foi publicado nesta quinta-feira, 15, no jornal acadêmico Antiquity