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Pela primeira vez, cientistas apontam existência de plástico em órgãos humanos

Pesquisadores da Universidade do Arizona expuseram descobertas de mais de 40 amostras que continham traços de plástico em órgãos como pulmão, rins e baço

Caio Tortamano Publicado em 17/08/2020, às 17h30

Imagem ilustrativa de garrafas de plástico
Imagem ilustrativa de garrafas de plástico - Pixabay

Durante um congresso virtual da Sociedade Americana de Química, cientistas dos Estados Unidos apontaram, pela primeira vez na história, partículas de plástico em órgãos humanos. Por mais que os efeitos à saúde ainda não sejam conhecidos, é curioso que tenham sido encontradas micro e nano partículas do material em pulmões, fígados, baços e rins.

Foram analisadas 47 amostras de tecido pelos pesquisadores da Universidade do Arizona, que revelaram o material. Mesmo sem saber dos riscos à saúde que essa presença pode proporcionar, a descoberta chamou a atenção dos cientistas.

Essas 47 amostras foram recolhidas de um banco específico para o estudo de doenças neurodegenerativas. Foi possível identificar tipos conhecidos de plástico, como o PET, comumente utilizado em garrafas de plástico — além do polietileno, utilizado em sacolas plásticas. Já o plástico encontrado em todas elas foi o bisfenol A, muito utilizado em embalagens e recipientes de alimentos, apesar da preocupação que especialistas têm que esse produto possa causar mal à saúde.

O portal UOL aponta que, em animais, exposições como essas encontradas em humanos podem levar a danos como infertilidade, câncer e inflamações. O autor do estudo, Charles Rolsky afirmou que: "Há provas de que o plástico está entrando no nosso corpo, mas muito poucos estudos o procuram nele. E neste momento não sabemos se este plástico é apenas um incômodo ou se representa um perigo para a saúde humana".

A entrada desses elementos no corpo humano pode se dar pela cadeia alimentar humana, uma vez que amostras de plástico foram encontradas em quase todas as marcas de água engarrafada quando pesquisas foram feitas a respeito. Porém, as respostas só serão descobertas depois de análises envolvendo as informações detalhadas do estilo de vida dos doadores.