Notícias » Ciência

Pela primeira vez na história, astrônomos localizam estrela em formato de gota

O astro está na nossa galáxia, a Via Láctea, e possui um tipo de pulsação bem peculiar em termos astronômicos

Vanessa Centamori Publicado em 10/03/2020, às 17h10

Estrela HD74423
Estrela HD74423 - Gabriel Pérez Díaz / Divulgação IAC

No ano de 1980, astrônomos descobriram a existência de uma estranha estrela pulsante, com formato de gota, que oscilava sob um ritmo cósmico inusitado, em apenas um de seus lados. Mas só recentemente, na última segunda-feira, dia 9 de março, cientistas puderam detectar a localização dessa maravilha astronômica.

A descoberta, publicada na revista acadêmica Nature Astronomy, foi feita em uma parceria que reuniu pesquisadores do mundo todo. Em comunicado, o co-autor do estudo, Don Kurtz, da Universidade Central de Lancashire, no Reino Unido, contou que o astro já tinha sido calculado no plano teórico há muito tempo. “Estive procurando por uma estrela como essa há quase 40 anos e finalmente encontrei uma”, afirmou.

O objeto astronômico, chamado de HD74423, tem 1,7 vezes a massa do Sol e está na Via Láctea, a 1,5 mil anos-luz da Terra (considere que um ano-luz vale cerca de 9,5 trilhões de quilômetros). Sua localização foi definida pelo satélite Transiting Exoplanet Survey ( TESS), da NASA.

Via Láctea, onde a estrela HD74423 está localizada / Crédito: Divulgação/ NASA

 

Os astrônomos acreditam que o comportamento em forma de gota acontece devido ao fato do objeto luminoso estar acompanhado por uma outra estrela, uma anã-vermelha. Essa é nada mais do que uma pequena estrela fria, que compõe um sistema binário.

Isso significa que ela é a segunda estrela de um ornamento celeste também composto por HD74423. Em sincronias como essas, geralmente cada um dos astros brilhantes realiza um movimento orbital em torno de um centro de massa comum.

Nesse caso, tal dança cósmica é feita de modo bem próximo. Para se ter uma ideia, o período orbital demora apenas dois dias (isso não é muito, considerando distâncias astronômicas). O resultado, é um balé bem diferente, distorcido em forma de gotinha.