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Pela terceira vez, Dr. Jairinho é indiciado por tortura contra criança

Além de réu no caso Henry Borel, o médico e vereador também é acusado de agredir os filhos de outras duas ex-namoradas

Pamela Malva Publicado em 01/06/2021, às 12h00

Dr. Jairinho durante condução policial
Dr. Jairinho durante condução policial - Divulgação / RecordTV

Quase três meses depois da polêmica morte do pequeno Henry Borel, o médico e vereador Dr. Jairinho foi indiciado pela terceira vez pelo crime de tortura contra outra criança. Segundo o UOL, ele é acusado de maltratar o filho de uma ex-namorada.

Já preso acusado de matar o pequeno Henry, que tinha 4 anos, Jairinho foi indiciado na última segunda-feira, 31, pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, através da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV). As agressões, de acordo com os oficiais, teriam ocorrido em meados de 2015, quando a criança em questão tinha apenas três anos.

Documentos do Hospital Municipal Lourenço Jorge, onde a vítima foi socorrida na época, comprovam a tortura mediante sufocamento indicada no inquérito da nova acusação. O prontuário médico revela hematomas nas bochechas, assaduras nos glúteos e uma fratura no fêmur, que deixou a criança imobilizada da cintura para baixo por dois meses. 

De acordo com a polícia, todas as agressões aconteceram enquanto Jairinho e a criança estavam sozinhos em uma festa, em 2015. Já no hospital, registros feitos por uma psicóloga mostram que a vítima de três anos interagia bem, mas chorava muito.

Doutor Jairinho em entrevista / Crédito: Divulgação / Jornal da Record

 

Débora Saraiva, a mãe da criança, também foi indiciada por tortura imprópria. Segundo os oficiais, a mulher sabia das agressões, mas não fez nada para impedi-las e ainda omitiu tamanha violência. O ex-casal também foi acusado por falsidade ideológica, já que, no hospital, disseram que o menino tinha sofrido um acidente automobilístico.

Nesse sentido, a Polícia Civil afirma que “os relatos no hospital ocorreram na presença da mãe da vítima, sendo que mesmo sabedora dos fatos ocorridos, ainda assim, conviveu em imóvel no bairro de Jacarepaguá pertencente ao seu amante (local onde ocorreram posteriormente outras agressões contra seu filho)”.

Procurados pelo UOL, as defesas de Débora e Jairinho ainda não se posicionaram. A DCAV, por sua vez, verificou que, ainda que a criança de três anos tenha sofrido as agressões, não existem indícios de que o vereador tenha violentado a irmã da vítima. Ainda assim, a delegacia continua apurando outras possíveis vítimas do médico.

Este já é o terceiro indiciamento contra Jairinho. Por enquanto, de acordo com acusações oficiais, além de suspeito na morte do menino Henry Borel, o homem ainda responde pelo crime de tortura marjorada contra a filha de outra ex-namorada.

Assim como o pequeno Henry, a segunda vítima também tinha quatro anos, mas sofreu as agressões entre 2010 e 2013. Em seu depoimento, a própria garota afirmou que teve sua cabeça batida contra a parede de um banheiro, além de ser afundada na piscina pelo padrasto. A acusação foi feita à DCAV pela mãe e pela avó da vítima.

Dr. Jairinho e Monique Medeiros, em entrevista / Crédito: Divulgação / Jornal da Record

 


Relembre o caso Henry Borel

No domingo de 7 de março de 2021,o engenheiro Leniel Borel deixou seu filho Henry na casa da mãe do garoto, sua ex-esposa Monique. Segundo a mulher, via UOL, o menino teria chegado cansado, pedindo para dormir na cama que ela dividia com Jairinho.

Por volta das 3h30 da madrugada, o casal foi verificar o pequeno e acabou encontrando Henry no chão, já desacordado. Monique e o vereador levaram o garoto às pressas para o hospital, enquanto avisavam Leniel, que, desconfiado, abriu um Boletim de Ocorrência.

O caso começou a ser investigado no mesmo dia e, até hoje, a polícia já ouviu cerca de 18 testemunhas. Tendo em vista que a morte do garoto foi causada por “hemorragia interna e laceração hepática [danos no fígado] causada por uma ação contundente”, os oficiais já reuniram provas o suficiente para descartar a hipótese de um acidente, segundo o G1.

Em maio, então, a Justiça do Rio de Janeiro denunciou Dr. Jairinho e Monique Medeiros pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura, fraude processual e coação no assassinato de Henry. Eles estão presos preventivamente desde então.