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Perseguição aos cristãos em Roma pode ter sido exagerada, dizem arqueólogos

Análise de uma mina de cobre onde mártires teriam sido torturados e assassinados não encontrou sinais de violência

segunda 26 novembro, 2018
Ilustração do que acontecia com os cristãos em Roma, segundo os escritos dos historiadores cristãos e da Bíblia.
Ilustração do que acontecia com os cristãos em Roma, segundo os escritos dos historiadores cristãos e da Bíblia. Foto:Domínio Público

Escravizados por defender sua fé, os cristãos eram enviados para minas de cobre numa região hoje conhecida como Khirbet Faynan, no sudoeste da Jordânia. Ali, sofriam horrores inacreditáveis: muitos tiveram os olhos arrancados com espadas. Outros perderam partes das pernas. Pelo menos 40 foram decapitados. Esse é um dos mais antigos relatos sobre o sofrimento dos primeiros discípulos de Jesus Cristo. Foi escrito no século 4 por Eusébio de Cesareia, considerado o primeiro historiador do cristianismo. Pois uma investigação arqueológica conduzida no local indica que nada disso aconteceu. É possível que o sofrimento dos mártires cristãos, ao menos nesse caso, tenham sido bastante exagerados.

Megan Perry, bioantropóloga da Universidade East Carolina, conduziu um trabalho de escavação na região de Khirbet Faynan. O resultado do trabalho, publicado na forma de uma série de artigos, indica que as minas existiram, mas não recebiam escravos de outros lugares. Os ossos encontrados ali sugerem que boa parte dos trabalhadores vivia na própria região, e não era submetido a maus tratos; ao contrário, as ossadas indicam que quem trabalhava ali tinha boas condições de saúde.

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A verdade é que não existem indícios arqueológicos ou documentais de que os cristãos fossem um alvo preferencial de perseguição dos romanos. Os relatos a respeito dos sofrimentos dos mártires são invariavelmente apresentados por cristãos que viveram séculos depois dos acontecimentos que descrevem. Mas um argumento favorecia os defensores da tese de que os cristãos foram perseguidos com intensidade: os corpos dos mártires, dizem os historiadores antigos, eram queimados e suas cinzas, lançadas dentro de rios, de forma que não haveria mesmo como encontrar evidências arqueológicas.

Mas, diante de uma rara ocasião de investigar um sítio arqueológico onde haveria corpos de mártires, a equipe de Megan Perry não encontrou nada que indique que os relatos de Eusébio de Cesareia eram autênticos. "Bçai encontramos evidência de olhos e pés removidos ou de pessoas que morreram decapitadas na região", ela afirma.

 

Mariana Ribas


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