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Pesquisa aponta particularidade sobre atores que venceram o Oscar

Estudo mostra impressionante disparidade entre as camadas de Hollywood

Fabio Previdelli Publicado em 28/04/2022, às 13h47

A atriz Lupita Nyong'o recebendo um Oscar em 2014
A atriz Lupita Nyong'o recebendo um Oscar em 2014 - Getty Images

Ao receber um Oscar, sem dúvida alguma, qualquer ator ou atriz escreve para sempre seu nome na história do cinema. Não é exagero nenhum dizer que seu legado estará marcado eternamente, fazendo do vencedor um ‘imortal’. 

Bom, mas esse conceito pode ir muito além do campo cinematográfico e ter relações diretas com a vida cotidiana dessas pessoas. Isso porque, segundo um recente estudo, revisado por pares e que foi publicado na revista PLOS One, vencedores do Oscar vivem mais tempo do que atores que foram apenas indicados

De acordo com os dados, os profissionais que recebem a estatueta têm maior probabilidade de viver até cerca de 81 anos, enquanto aqueles que são apenas indicados — ou que sequer conseguem isso — provavelmente viverão até os 76.

Atores e atrizes premiados com o Oscar mostram uma associação positiva entre sucesso e sobrevivência, sugerindo a importância de fatores comportamentais, psicológicos ou outros fatores de saúde modificáveis não relacionados à pobreza”, explica Donald Redelmeier, principal autor do estudo, conforme repercutido pelo New York Post. 

Para chegar nessa conclusão, pesquisadores da Universidade de Toronto se basearam nos dados dos 2.111 atores que foram indicados ao Oscar, ou que trabalharam ao lado de um deles, entre o período de 1929 e 2020.

Um dos principais exemplos usados pelos estudiosos foi da atriz Meryl Streep, de 72 anos, que possui 21 indicações e 3 estatuetas. Em 1987, ela foi indicada por sua atuação em ‘Ironweed’. No entanto, quatro outras mulheres do elenco do mesmo filme não foram, o que inclui a falecida Margaret Whitton, que morreu em 2016, aos 67 anos. As duas tinham diferença de apenas um ano na época. 

Explicação?

Apesar da comprovação, não há uma razão específica para essa diferença na longevidade, mas os pesquisadores do estudo têm várias teorias. “Os vencedores tendem a comer adequadamente, exercitar-se constantemente, dormir regularmente, evitar o uso indevido de drogas e seguir os ideais de um estilo de vida prudente que traz mais ganhos com a adesão”, aponta o estudo.

Os vencedores do Oscar podem evitar algum estresse por meio de mais controle e menos irritação ao encontrar um obstáculo”, continuam. “O prêmio, em particular, pode suavizar uma rejeição humilhante ou uma crítica ofensiva, preservando a paz de espírito e ajudando a amortecer as respostas ao estresse hipotalâmico-hipofisário”.

Equiparação ao longo dos anos 

Dos 2.111 atores que foram estudados, 1.122 deles morreram até 1º de julho de 2020. Embora os pesquisadores reconheçam no estudo que a expectativa de vida e as condições de vida mudaram drasticamente desde a primeira cerimônia do Oscar, em 1929, eles fizeram algumas considerações interessantes sobre esse ponto. 

“A análise replicou descobertas anteriores de décadas atrás, mostrou uma diferença maior na expectativa de vida do que o relatado originalmente e sugeriu que o aumento da sobrevivência se estende a análises restritas a vencedores e indicados”, explicam Redelmeier e o co-pesquisador Sheldon M. Singh.

O aumento da expectativa de vida foi maior para os indivíduos que venceram nos últimos anos, em uma idade mais jovem e com várias vitórias”, concluem. 

Com os resultados, os estudiosos apontam que continuarão a investigar o tema e, quem sabe um dia, consigam entender o ‘mistério’ por trás disso e, assim, possam ajudar todos a desfrutarem de uma vida mais longa.