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Pesquisa aponta que crescer em regiões mais verdes aumenta QI de crianças

O aumento da vegetação nos bairros também está relacionado à diminuição de dificuldades comportamentais, como agressividade e falta de atenção

Isabela Barreiros Publicado em 24/08/2020, às 15h18

Imagem ilustrativa de bairro com área verde
Imagem ilustrativa de bairro com área verde - Flickr

Publicado na revista científica Plos Medicine, um novo estudo realizado pela Universidade Hasselt, na Bélgica, revelou que crianças que cresceram em áreas urbanas mais verdes possuem um QI mais elevado. Além disso, ao serem criadas em ambientes urbanos com maior vegetação, o comportamento difícil desses jovens diminui.

Segundo Tim Nawrot, professor de epidemiologia ambiental na universidade responsável pela pesquisa, “há cada vez mais evidências de que ambientes verdes estão associados à nossa função cognitiva, como habilidades de memória e atenção”. A nova pesquisa, porém, foca na questão do QI dessas crianças.

A amostragem utilizada pelos pesquisadores para a análise foi de pelo menos 600 crianças entre 10 e 15 anos, que foram criadas em bairros ricos e pobres da Bélgica. Eles utilizaram imagens de satélite com a intenção de medir o verde das regiões, principalmente por meio de jardins, parques e árvores na rua.

A principal conclusão da pesquisa foi que, ao aumentar 3% de vegetação no bairro do jovem, o QI cresce em uma média de 2,6 pontos. Em relação a dificuldades comportamentais, que estão ligadas à agressividade e problemas de atenção, a pontuação média foi de 46. Quando a vegetação se eleva em 3%, no entanto, a pontuação desse comportamento diminui dois pontos.

“O que este estudo adiciona com o QI é uma medida clínica mais difícil e bem estabelecida. Acho que os construtores de cidades ou planejadores urbanos devem priorizar o investimento em espaços verdes porque é realmente importante criar um ambiente ideal para as crianças desenvolverem todo o seu potencial”, explicou Nawrot.

Os especialistas ainda não conseguiram definir a causa para tais mudanças. Eles acreditam que isso pode estar relacionado a níveis mais baixos de ruído, mais tempo para atividades físicas e sociais e diminuição no estresse.