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Pesquisa inédita revela o valor bilionário da luta contra as drogas em São Paulo e no Rio de Janeiro

Realizado pelo CESeC, o estudo analisou os investimentos feitos por ambos os estados no interminável combate aos narcóticos

Pamela Malva Publicado em 30/03/2021, às 18h00 - Atualizado às 22h34

Imagem meramente ilustrativa de drogas ilícitas
Imagem meramente ilustrativa de drogas ilícitas - Divulgação/Pixabay

No constante combate ao tráfico de drogas, a proibição tornou-se um dos caminhos mais utilizados pelos governos ao redor do mundo. Publicada na última segunda-feira, 29, contudo, uma nova pesquisa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) revelou que essa batalha pode causar grandes prejuízos econômicos.

Ainda em sua primeira fase, o estudo inédito analisou dados da luta contra as drogas no Rio de Janeiro e em São Paulo no ano de 2017. Liderado pela coordenadora do CESeC, Renata Neder, o relatório de 64 páginas revelou os valores reais que custearam a luta contra as drogas em ambos os estados brasileiros, segundo a Ponte.

Muito além de divulgar o custo dessa batalha, no entanto, a pesquisa também revelou valores investidos em segurança pública e justiça criminal. Ainda mais, o texto abordou o tema sob a perspectiva social, a fim de mostrar como a política da proibição e a guerra contra as drogas têm um impacto direto nas favelas e periferias dos dois estados.

Tendo em mente que a constante batalha também esconde um intenso racismo estrutural, a pesquisa apontou que, entre 2015 e 2019, o Rio de Janeiro teve um gasto médio anual de 15 milhões com o sistema de justiça. São Paulo, por sua vez, gastou cerca de 4 bilhões de reais por ano no mesmo âmbito.

Imagem meramente ilustrativa de maleta com dinheiro / Crédito: divulgação/Pixabay

 

Gastos bilionários

Em entrevista à Ponte, Renata afirmou que, através do estudo, ficou claro que a atual política contra as drogas no país não é impecável. Para a pesquisadora, ela “alimenta a violência e a corrupção dos agentes do Estado e o encarceramento em massa, além de inúmeras violações de direitos humanos em decorrência dessa política de guerra”.

O fator mais inquietante, então, torna-se o enorme valor gasto pelos estados nessa batalha interminável. Nesse sentido, o mais expressivo dos investimentos foi feito na Polícia Militar de ambos os estados analisadas pelo estudo.

Enquanto o Rio de Janeiro colocou quase 5 bilhões de reais no setor (equivalente a 32,33% de seu orçamento total), São Paulo aplicou 16 bilhões na PM (36,3% do valor que dispunha). Em matéria de comparação, então, o estudo sugeriu outros lugares onde esse e outros valores poderiam ser investidos em cada estado.

Imagem meramente ilustrativa de viatura / Crédito: divulgação/Pixabay

 

Cofres públicos

Inicialmente, o relatório do CESeC pontuou que, com o valor gasto pelo Rio de Janeiro para a manutenção da política contra as drogas, seria possível movimentar diversas áreas de interesse público da população, a começar pela educação.

Nesse sentido, com os 5,2 bilhões usados pelo Rio para manter a proibição das drogas, seria possível custear um ensino de qualidade para 252 mil alunos do ensino médio, além de construir 121 escolas para mais de 77 mil alunos e pagar um ano de educação para cerca de 32 mil alunos da UERJ.

Ainda mais, além dos gastos nas escolas, o estado poderia garantir o programa de renda básica para cerca de 145 mil famílias por um ano e, junto de todos os outros benefícios, também poderia adquirir cerca de 36 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

Por fim, em São Paulo, o valor de 4 bilhões investidos poderiam custear o ensino de 840 mil alunos de ensino médio em instituições estaduais e outros 43 mil alunos na USP. O estado ainda poderia construir 462 escolas, garantir o programa de renda básica para 583 mil famílias por um ano e comprar 72 milhões de doses da vacina Coronavac.