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Pesquisa inicia avaliação para reflorestamento do Pantanal

Inicialmente as atenções se voltam para a identificação de áreas onde as sementes das plantas não sofreram destruição e permanecem saudáveis

Giovanna de Matteo Publicado em 09/11/2020, às 07h43

Imagem das queimadas no Pantanal
Imagem das queimadas no Pantanal - Divulgação

Cientistas brasileiros iniciaram uma avaliação inédita no estado do Mato Grosso do Sul com o objetivo de analisar os estragos provocados pelas queimadas no Pantanal. Eles então em busca de maneiras possíveis para a recuperação da fauna e da flora desse bioma. 

Inicialmente as atenções se voltam para a identificação de áreas onde as sementes das plantas não sofreram destruição e permanecem saudáveis sob o solo. "Nós não sabemos ainda [onde houve destruição das sementes]. Depende muito da quantidade de combustível e o tempo de residência desse fogo. Se não tiver esses bancos de sementes, essas riquezas, não adianta chover. Se realmente foi afetado, não vai ter esse retorno", explica a pesquisadora Sandra Aparecida, da Embrapa Pantanal, ao portal G1.

“Nós temos que buscar formas de recuperação do Pantanal. Por isso, é muito importante saber como era antes e tentar trabalhar com o que a gente trabalha no Pantanal, que é a resiliência adaptativa. A resiliência é quando buscamos que o ambiente volte o que era antes", acrescenta ela.

Locais grandes do Pantanal de MS foram atingidos. Esse é o caso da Serra do Amolar, onde os incêndios chegaram a devastar 70% da área. O lugar era importante pois muitas espécies de animais se alocavam por lá durante o período de cheias, servindo para eles como uma espécie de refúgio.

Dado a sua relevância, os pesquisadores do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) já começaram um estudo aprofundado na região, e planejam encontrar formas para o reflorestamento.

A fauna, por sua vez, também está passando por um processo de reestruturação. Para garantir a vida das espécies do Pantanal, que exercem um papel fundamental no bioma, veterinários do IHP estão atendendo os animais que residem nas áreas que foram mais prejudicadas. Os trabalhos consistem em levar alimentos, além de dar assistência médica à animais que sofreram alguma lesão com as queimadas. 

Foi estipulado que mais de 11 milhões de animais tenham perdido a vida em decorrência do fogo. Com a ajuda de ONGS e institutos, animais sobreviventes já estão aos poucos conseguindo voltar para seu habitat.

“Ainda existem, em todas as áreas que foram impactadas pelo fogo, as ilhas verdes. Nós já conseguimos acessar algumas delas e vemos uma aglomeração de espécies que, geralmente, não estão juntas, como, por exemplo, primatas de três espécies diferentes ocupando a mesma árvore. Aos poucos nós já observamos que eles voltam a ocupar as áreas afetadas pelo fogo", afirma o veterinário do IHP, Diego Viana, também ao G1.