Notícias » Personagem

Pesquisa pode ter desvendado origem do feto encontrado no caixão de bispo morto em 1679

Restos mortais do religioso se encontravam na Catedral de Lund, em Lund, Suécia

Redação Publicado em 10/04/2021, às 08h00 - Atualizado às 10h23

Restos mortais do bispo (à esqu.) e o feto encontrado (à dir.)
Restos mortais do bispo (à esqu.) e o feto encontrado (à dir.) - Divulgação/Universidade de Lund

Uma pesquisa impressionante foi divulgada na última semana através do Journal of Archaeological Science: Reports. Isso porque análises feitas nos restos mortais do bispo Peder Winstrup podem finalmente ter solucionado um enigma que levam os amantes de história para o século 17.

Peder, que faleceu em 1679, intrigou pesquisadores que englobam as universidades de Lund e Estocolmo. Falecendo já idoso, quando tinha 74 anos de idade, os restos mortais do bispo surpreendem aqueles fascinados por arqueologia. De tão bem preservados, são considerados um dos mais impressionantes de 1600.

Os restos mortais do bispo /Crédito: Divulgação/Universidade de Lund

 

Mas o que realmente surpreendeu os profissionais foi a revelação de um feto escondido no caixão que mantinha o cadáver do religioso na Catedral de Lund, que se localiza em Lund, Suécia.  

Após análises, os profissionais envolvidos no estudo passaram a acreditar que o feto, embrulhado através de linho, seria o neto do bispo. Mas como foi possível chegar à essa hipótese?

A ciência explica

Os pesquisadores envolvidos na grande descoberta trabalharam com análises feitas através de exames de DNA e com o apoio do raio-x.

O esqueleto do feto encontrado junto aos restos mortais do bispo /Crédito: Divulgação/Universidade de Lund

 

A pesquisa descobriu, por exemplo, que o feto depositado no local de descanso do religioso tinha uma idade de aproximadamente 5 a 6 meses, além de natimorto. Mas não é só isso.

Quanto ao sexo, a análise indica que se tratava de um menino que carregava aproximadamente 25% dos genes iguais os do religioso que fora alvo da pesquisa. Como consequência, eles teriam uma ligação familiar de segundo grau. Diante do cenário encontrado, é possível que tenha sido um caso de avô e neto.

Ligação familiar?

Através das análises, os profissionais envolvidos no caso apontam que o pai do bebê seria, na verdade, filho de Peder. E como foi possível chegar nesta resposta?

"Aqui, testamos as hipóteses usando a genômica do DNA antigo, incluindo DNA mitocondrial e dados do cromossomo Y, como ferramentas para análises de parentesco", explica a descrição do artigo. "Identificamos uma relação de parentesco de segundo grau, que, em combinação com a análise genealógica, sugere uma relação avô-neto, como afiliação altamente provável".

O feto embrulhado /Crédito: Divulgação/Universidade de Lund

 

Bom, a análise revelou que os restos mortais não configuravam um caso de DNA mitocondrial igual, algo gerado pela mãe, de maneira exclusiva. Assim, a grávida não seria filha de Peder. E para evitar qualquer dúvida, a pesquisa também identificou que os restos mortais apresentavam cromossomo Y, exclusivo do pai.

A pesquisa instiga ainda mais quando puxamos o histórico familiar do bispo. Acontece que ele era pai de Peder Pedersen, gerado no casamento inicial do religioso e que sobreviveu até a vida adulta.

“O feto pode ter sido colocado no caixão após o funeral, quando estava em uma tumba na Catedral de Lund e, portanto, acessível”, relatou o professor de osteologia histórica da Universidade de Lund, Ahlström.

Contudo, se engana quem acredita que a prática era rara no passado. O coautor da pesquisa, Torbjörn Ahlström, explica que era comum que pequenos fossem colocados em caixões de pessoas mais velhas.

Leia o estudo completo aqui.