Notícias » Arqueologia

Pesquisa resolve mistério de templo budista em caverna na China

Arqueólogos conseguiram finalmente datar o local, apresentando uma nova hipótese para o fato de o teto do local conter uma frase com letras invertidas

Isabela Barreiros Publicado em 04/01/2021, às 14h26

Templo budista na China em que estudos foram realizados
Templo budista na China em que estudos foram realizados - Divulgação - Nottingham Trent University

Uma nova pesquisa realizada por uma equipe da Universidade Nottingham Trent, no Reino Unido, e da Dunhuang Research Academy, na China, revelou mistérios de séculos contidos em um templo localizado dentro de uma das famosas Cavernas de Mogao, na China. Ela está na antiga Rota da Seda na cidade de Dunhuang.

Eles escanearam o local, gerando uma imagem espectral 3D capaz de mostrar os detalhes das pinturas e escritos contidos nas paredes em alta resolução. A técnica possibilitou que os especialistas observassem as cores exatas usadas nas obras, o que não era possível a olho nu.

Escritos no templo / Crédito: Divulgação - Nottingham Trent University

 

O estudo também focou num enigma visto no teto do templo budista. Na "Caverna 465", estão representados os "Cinco Budas Celestiais” e há ainda um papel sânscrito em vermelho, desbotado com o tempo, cujo significado ainda não foi decifrado. Segundo os pesquisadores, as letras estariam “invertidas”.

A datação do templo passou a ser o foco da investigação. A partir da análise de combinação de cores usadas em momentos históricos diferentes, os especialistas chegaram à conclusão de que o arranjo usado ali era comum no período Mongol e Yuan, no começo do século 13.

Além disso, eles também perceberam que muitas letras usadas nas paredes não eram usadas daquela maneira até depois do século 12. Assim, eles concluíram a datação do local, afirmando que ele data do século 12 ao 13 d.C.

Quanto às letras invertidas do papel sânscrito, os pesquisadores entenderam que isso provavelmente não foi um erro dos trabalhadores do local, que poderiam não entender a língua. Eles supõem que, na época, as letras pudessem estar invertidas para que os deuses pudessem lê-las, estando “erradas” apenas pelos padrões de hoje.