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Notícias / Ciência

Pesquisa ‘ressuscita’ olhos de cadáveres, devolvendo momentâneo ‘brilho de vida’

Equipe de cientistas foi capaz de despertar células fotorreceptoras retiradas de doadores de órgãos

Redação Publicado em 16/05/2022, às 15h37

Imagem ilustrativa - Pixabay/Cparks
Imagem ilustrativa - Pixabay/Cparks

Uma equipe de cientistas foi capaz de “ressuscitar” células nervosas fotorreceptoras de olhos de cadáveres, estabelecendo novamente a comunicação entre elas e permitindo que um “brilho de vida” momentâneo as tomasse.

Obtendo as células sensíveis a luz a partir de doadores de órgãos no Banco de Olhos do Lions de Utah, de San Diego e da sociedade de doadores de órgãos LifeSharing, nos Estados Unidos, o estudo reviveu os fotorreceptores, mas não os manteve em comunicação com outras células da retina.

“Em olhos obtidos até cinco horas após a morte de um doador de órgãos, essas células responderam à luz brilhante, luzes coloridas e até mesmo flashes de luz muito fracos”, explicou Fatima Abbas, principal autora do estudo, publicado na revista Nature.

Segundo os pesquisadores da Universidade de Utah e na Scripps Research, a capacidade de comunicação não foi mantida devido à privação de oxigênio, o que fez com que eles realizassem o mesmo experimento com olhos de doadores cujas mortes haviam acontecido há menos de 20 minutos.

Foi a partir daí que Frans Vinberg, cientista do Moran Eye Center, desenvolveu um aparato capaz de restaurar a oxigenação e nutrientes dos olhos dos cadáveres, além de outro que estimula a retina e mede a atividade elétrica das células, como reportou a revista Galileu.

Estudo mais amplo

Com as duas partes da pesquisa em conjunto, foi possível restaurar, pela primeira vez, o que eles chamaram de “onda b”, um sinal elétrico particular visto em olhos de pessoas vivas. A situação foi diferente de estudos anteriores, que conseguiram realizar o feito porém de maneira mais limitada.

“Conseguimos fazer as células da retina falarem umas com as outras, da mesma forma que fazem no olho vivo para mediar a visão humana”, explicou Vinberg. “A comunidade científica agora pode estudar a visão humana de maneiras que simplesmente não são possíveis com animais de laboratório”.

“Esperamos que isso motive as sociedades de doadores, doadores de órgãos e bancos de olhos, ajudando-os a entender as novas e empolgantes possibilidades que esse tipo de pesquisa oferece”, acrescentou.