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Pesquisa revela segredo de construção da Roma Antiga

Após estudar a Tumba de Caecilia Metella, a geofísica Marie Jackson conseguiu identificar o que mantém tais estruturas de pé até hoje

Pamela Malva Publicado em 04/01/2022, às 17h30

Fotografia da Túmulo de Cecília Metela
Fotografia da Túmulo de Cecília Metela - AlfvanBeem/ Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Em meados de 30 a.C., foi construída, à beira da Via Ápia, em Roma, a Tumba de Caecilia Metella. Com 21 metros de altura e 29 de diâmetro, o mausoléu é considerado por estudiosos da Roma Antiga como um dos monumentos mais bem preservados do começo da república romana, logo depois da abolição do Império.

Foi essa a estrutura estudada por cientistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, que buscavam entender como os romanos criavam construções tão resistentes. Com base em uma análise química realizada no mausoléu com mais de 2 mil anos de idade, então, os pesquisadores conseguiram identificar o ‘segredo’ dos antigos.

Segundo os estudiosos, toda a preservação de estruturas como a da tumba se deve ao concreto usado pelos romanos. Usado em muitas construções, o material tem uma composição parecida com a do cimento moderno. As informações são do Olhar Digital.

Nesse sentido, o concreto romano tem como base o aquecimento de substâncias como calcário, argila, areia, cinzas, cal e ferro. A diferença é que, no passado, os romanos misturavam o material com rochas do tamanho de punhos e pedaços de tijolos.

A constituição desse monumento histórico e inovador, localizado na Via Appia Antica, indica que Caecilia Metella era uma pessoa de alto prestígio social”, narrou Marie Jackson, geofísica e coautora do estudo. “E o concreto utilizado traz uma presença forte e resiliente mesmo depois de 2.050 anos de sua construção.”

Ao visitar a construção em 2006, quando colheu amostras do concreto, Marie se surpreendeu com o interior do mausoléu, que é fresco e arejado. Descobriu-se, então, que a fundação da tumba foi criada com uma mistura de tufo — uma rocha formada por cinzas vulcânicas compactadas — e a lava de uma erupção ocorrida há 260 mil anos.

Em formato de torre, a estrutura ainda conta com um pódio e uma rotunda com várias camadas de concreto e blocos de travertino — uma rocha calcária formada por calcita, aragonita e limonita. As paredes, inclusive, têm cerca de 7,3 metros de espessura.

A pesquisa, publicada pelo Journal of the American Ceramic Society ainda revelou que os compostos vulcânicos utilizados no concreto não permitem a passagem de ar pelo material — o que, em um concreto comum, pode gerar desgaste e erosão. Essa seria uma das formas masi eficazes de preservar a estrutura da construção.

Quem foi Caecilia Metella?

Com tamanha estrutura, o mausoléu só poderia ter sido construído para uma pessoa importante. E de fato foi, segundo narraram os estudiosos. Caecilia Metella era nada mais, nada menos do que a filha de Quinto Cecílio Metelo Crético, um cônsul em 69 a.C.

Mais tarde em sua vida, a mulher ainda casou-se com Marco Licínio Crasso. Com isso, ela tornou-se parente do general que, junto de Júlio César e Cneu Pompeu Magno, compôs o Primeiro Triunvirato — uma aliança política informal estabelecida em meados de 60 a.C., que, diferente do Segundo Triunvirato, não tinha qualquer valor jurídico.