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Pesquisa revela técnica usada para tingir tecidos de lã há 2,5 mil anos

Datado do ano 400 a.C., o mais antigo tapete já encontrado na história foi criado com o método, que é, no mínimo, inusitado

Pamela Malva Publicado em 08/03/2021, às 14h30 - Atualizado às 14h58

Fotografia do impressionante tapete siberiano
Fotografia do impressionante tapete siberiano - Divulgação/Museu Hermitage

Em meados de 1947, enquanto exploravam as montanhas Altai do Cazaquistão, arqueólogos russos descobriram um antigo tapete muito bem preservado. Hoje, novas pesquisas revelaram como o tecido de 2,5 mil anos foi mantido em ótimas condições.

Bastante colorido, o tapete chamado de Pazyryk foi datado do ano 400 a.C. — tornando-se o mais antigo já encontrado. Durante as expedições dos anos 1940, ele foi descoberto no túmulo de um nobre cita e acabou surpreendendo por sua condição.

Décadas mais tarde, então, os cientistas Andreas Späth e o Prof. Dr. Karl Messlinger, da Universidade de Erlangen-Nuremberg, descobriram o segredo que manteve as cores do tapete tão bem preservadas. Tudo com a ajuda de microscopia e de raios-X.

Detalhes no tapete siberiano / Crédito: Divulgação/Museu Hermitage

 

Segundo os pesquisadores, o tapete de Pazyryk foi feito com lã de ovelha fermentada, uma prática tradicional na Anatólia. Neste método, a lã é fermentada com leveduras por três semanas antes de ser tingida com pigmentos naturais.

Dessa forma, as cores do tapete — que pode ter sido produzido na Turquia, Pérsia ou algum outro local na região — continuaram vivas apesar dos séculos. Ainda mais, a nova pesquisa revelou que tal técnica de fermentação já era aplicada por tecelões na Ásia Central durante a Idade do Ferro, ao contrário do que os cientistas imaginavam.

No total, o tapete de Pazyryk tem 2 metros de comprimento e 1,83 metros de largura. Com padrões geométricos e representações de cervos e soldados citas, a peça é formada por cerca de 360 mil delicados e detalhados nós turcos.