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Pesquisadora encontra mensagem subliminar em obra de mais de 350 anos que retrata as quedas de Adão, Eva e Satanás

A descoberta, feita com um estudo baseado na obra Paraíso Perdido de John Milton, é um acróstico que entrelaça o destino trágico da humanidade com a do anjo caído

Fabio Previdelli Publicado em 17/09/2019, às 08h00

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- Reprodução

Mais de 350 anos após sua primeira publicação, muitos devem imaginar que o épico Paraíso Perdido de Jonh Milton havia renunciado todos os segredos que tinha para contar, mas uma mensagem secreta foi descoberta por Miranda Phaal, uma estudante de graduação da Tufts University, em Massachusetts, Estados Unidos.

O achado foi feito usando o recurso acróstico, isto é, um artifício poético no qual as letras iniciais de várias linhas consecutivas, lidas verticalmente, formam uma palavra ou uma frase. É uma técnica geralmente usada para destacar um elemento de maior valor para a narrativa ou para enfatizar o tema literário subjacente.

A passagem em questão está no livro nove do poema e narra o momento no qual Eva discute com Adão sobre os frutos proibidos. Nos versos é possível identificar as letras ‘FFAALLAF’, na qual é possível ler a palavra Fall (cair em inglês) com cada letra duplicada, em direção descendente e ascendente.

A passagem narra o momento no qual Eva discute com Adão sobre os frutos proibidos / Crédito: Wikimedia Commons 


"F
rom his surmise prov'd false, find peace within,
Favor from Heav'n, our witness from th'event.
And what is Faith, Love, Virtue unassay'd
Alone, without exterior help sustain'd?
Let us not then suspect our happy State
Left so imperfect by the Maker wise
As not secure to single or combin'd.
Frail is our happiness, if this be so".

De sua suposição provada falsa, encontre a paz interior / Favor do céu, nossa testemunha do evento / E o que é fé, amor, virtude não testada / Sozinho, sem ajuda externa sustentada? / Não suspeitemos então nosso feliz Estado / Deixado tão imperfeito pelo Criador / Como não seguro para solteiro ou combinado / Frágil é a nossa felicidade, se é assim (em tradução livre).

Phaal interpreta isso como a representação da dupla queda da humanidade (Adão e Eva) quando lida de cima para baixo, interligada com a terceira queda de Satanás, que é lida de baixo para cima. Desta maneira, o poeta parece avisar o leitor que, apesar da sua aparência amável, a cobra esconde más intenções que acabarão por expulsar os dois do Éden.

“Em última análise, o acróstico destila todo o poema até sua essência: três quedas contingentes, dois paraísos perdidos”, disse a autora do estudo. “Como muitos acrósticos conhecidos, ele opera em contraponto ao texto explícito que o acompanha, prenunciando que nem tudo é o que parece”.

O achado foi feito usando o recurso acróstico / Crédito: Wikimedia Commons


No total, a obra épica de John Milton contém mais de 10 mil linhas de versos distribuídos por 12 livros. A composição do poema foi, de acordo com a declaração do autor no primeiro livro da obra, um esforço para “justificar os caminhos de Deus para os homens”.