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Pesquisadores apontam que formas de vida em Marte podem ser ‘fósseis falsos’

Uma nova pesquisa revela que certas 'bioassinaturas' podem ser criadas por processos não biológicos

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 22/11/2021, às 17h42

O rover Perseverance, que foi enviado a Marte em 2021
O rover Perseverance, que foi enviado a Marte em 2021 - Wikimedia Commons

Uma nova pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 22, pode apresentar um obstáculo para a busca por formas de vida em Marte, especialmente para os robôs enviados ao planeta vermelho, como o Perseverance da NASA, em procura de bioassinaturas, rastros de que podem existir formas de vida marcianas.

Os pesquisadores por trás das novas informações apontam que Marte pode estar coberto de “fósseis falsos”, assinaturas biológicas, sejam provas de um organismo mesmo ou seus rastros, que, na verdade, podem ser criadas também por reações inorgânicas. 

O co-autor Sean McMahon, da Universidade de Edimburgo na Escócia, apontou que as bioassinaturas podem nascer de processos químicos ou físicos, no entanto, “nós somos tão bons em encontrar vida que nós a vemos mesmo onde não há”.

“O tanto de estruturas materiais e compostos químicos que podem ser produzidos de maneira não biológica sobrepõe o tanto de coisas que podem ser produzidas biologicamente. Alguns fenômenos têm sido debatidos por décadas, e ainda não temos certeza se são biológicos ou não”, explicou.

Na pesquisa, McMahon e a co-autora, Julie Cosmidis, da Universidade de Oxford, recriaram alguns dos possíveis fósseis falsos de maneira inorgânica e esperam que isto facilite a identificação dos verdadeiros, o que potencializaria os achados no planeta vermelho. As informações são da LiveScience.

“Não estamos tentando diminuir os esforços que a NASA e a ESA têm aplicado em encontrar rastros de vida em Marte. Queremos apoiar estes esforços ajudando os pesquisadores envolvidos nestas missões a interpretarem os objetos que observarem de maneira mais informada e melhor", conclui Cosmidis.