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Pesquisadores descobrem assentamento do século 6 misteriosamente abandonado na França

O espaço foi um importante ponto de uma travessia que ligava o país com a Suíça e a Alemanha — e permaneceu desconhecido por séculos

Wallacy Ferrari Publicado em 08/10/2020, às 08h57

Alguns itens localizados no assentamento, como joias e restos mortais
Alguns itens localizados no assentamento, como joias e restos mortais - INRAP

Um time de arqueólogos localizou impressionantes restos de um assentamento na comuna francesa de Pontarlier, divisa do país com a Suíça. A descoberta, publicada no portal do Instituto Nacional de Pesquisa Arqueológica Preventiva (INRAP), revela um antigo local povoado por ricos, repleto de vestígios de joias e artefatos.

Por via de análises de datação, os cientistas concluíram que o assentamento foi criado no século 6 d.C. e servia como parada estratégica para a travessia do Maciço do Jura — trajeto que cobria Alemanha, França e Suíca — sendo uma potência comercial para a época. As escavações já revelaram dez grandes edifícios retangulares, com aproximadamente 300 metros quadrados cada.

Além dos edifícios comerciais, o local era usado para criação de bois e cavalos, tendo uma área de corte de gado — arquitetura rara na Europa, sendo mais comum na Suíça germanófona e na Baviera. Os arqueólogos também localizaram uma igreja basílica de madeira, com 20 metros de comprimento e 14 de largura, sendo local de armazenamento para uma necrópole, contendo 70 sepulturas de aldeões.

A escavação na região iniciou em 2011 e revelou, em poucos metros da nova descoberta, um assentamento do período mesolítico, sendo datado de 15 mil a 5 mil a.C. Acredita-se que os habitantes deixaram o assentamento aproximadamente 150 depois de sua fundação — sem registros de ataques como incêndios ou batalhas, que explicariam a migração total.

Veja fotos da descoberta:

Vista aérea do assentamento francês / Crédito: Michiel Gazenbeek / INRAP
Algumas das marcações dos edifícios localizados no assentamento / Crédito: Michiel Gazenbeek / INRAP
Alguns dos cadáveres localizados na necrópole / Crédito: Michiel Gazenbeek / INRAP