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Pesquisadores descobrem motivo de existirem animais imunes ao covid-19

Com o auxílio de uma reprodução 3D do novo coronavírus, cientistas da Universidade de Stanford analisaram sua aderência em células

Wallacy Ferrari Publicado em 05/12/2020, às 11h00

Modelo D usado para análise do vírus
Modelo D usado para análise do vírus - Rodrigues et al. 2020

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, revela uma curiosidade que emergiu durante a pandemia; o motivo pelo qual alguns animais possuem mais facilidade em se contaminarem com o vírus da covid-19 do que outros. A análise foi publicada no periódico PLOS Computational Biology na última quinta-feira, 3.

De acordo com os exames, a estrutura da proteína ACE2, presente na superfície das células animais, possui variações genéticas. Pelo fato de que o novo coronavírus se conecta com a estrutura celular por um de seus encaixes, os cientistas compreenderam que alguns animais possuem imunidade pelo simples fato de que o encaixe não é compatível com a proteína spike do vírus.

A descoberta pode auxiliar na criação de remédios e vacinas antivirais, que poderiam alterar artificialmente a aderência das células virais das células animais, de maneira que se tornassem incompatíveis — além de facilitar o monitoramento de transmissão, focando em animais que possuem a possibilidade de aquisição e transmissão e descartando as espécies imunes.

O pesquisador João Rodrigues foi o líder da equipe desta análise e, em nota, enalteceu a importância da construção de uma reprodução virtual: “Graças a dados abertos, estudos pré-publicados e softwares acadêmicos gratuitos, partimos de perguntar se tigres poderiam pegar Covid-19 para ter modelos 3D das estruturas de proteínas”.

Sobre a Covid-19

Em 1º de dezembro de 2019, há um ano, o primeiro paciente apresentava sintomas do novo coronavírus em Wuhan, epicentro da doença na China, apontou um estudo publicado na revista científica The Lancet em fevereiro deste ano.  

De lá pra cá, a doença já infectou mais de 65 milhões de pessoas ao redor do mundo, totalizando mais de 1.520.478 milhão de mortes, sendo mais de 175 mil delas apenas no Brasil, que está no segundo lugar entre os países onde mais pessoas morrerem por complicações da Covid-19. O primeiro deles é os EUA, com mais de 279 mil.

Atualmente, o Brasil enfrenta a segunda onda de contaminações pelo vírus, o que levou o prefeito de São Paulo, João Dória, a afirmar no último dia de novembro que certas regiões do estado precisariam voltar à fase amarela.