Notícias » Arqueologia

Pesquisadores encontram o maior painel de arte rupestre de São Paulo

Arqueólogos e biólogos da UFPR, Unicamp e USP fizeram a descoberta em Ribeirão Bonito

André Nogueira Publicado em 06/05/2019, às 10h00

None
Divulgação

Na cidade de Ribeirão Bonito, em São Paulo, arqueólogos encontraram um painel de 80 metros de comprimento e feito de pedra, cuja superfície está marcada por figuras esculpidas em baixo relevo. A missão era uma cooperação entre pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), A Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

As gravuras do painel seguem padrões já catalogados anteriormente e lembram pegadas clássicas de um passarinho, em que se encontram três linhas concorrentes, chamadas de  “tridígitos”.

Segundo o professor Astolfo Araújo (MAE-USP), que coordena a operação, trata-se do maior painel do tipo já encontrado no Estado de SP. Além da arte rupestre, foram encontradas lascas (material lítico), ossos de animais e carvão queimado.

O projeto dessa escavação, que ocorre desde 2014, foi financiado pela FAPESP e envolveu professores do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), o Instituto de Biociências (IB) e a Escola Politécnica da USP (Poli). O objetivo do programa é estudar e compreender a ocupação paleoíndia (grupos originários da América e que viveram no início do Heloceno, período geológico atual) do Estado.

Tridígito / Crédito: USP

 

Em 2015, a equipe encontrou o sítio arqueológico mais antigo do estado (conhecido até agora), em Dourado, 20 m de distância do paredão onde o painel foi marcado. O sítio possui mateiras de mais de 12 mil anos de idade.

Segundo a equipe, foram os moradores locais da região que apontaram a localização do painel.

De acordo com Araújo, o Sudeste brasileiro seria peça chave na compreensão das formações populacionais da América do Sul. A diversidade de arte rupestre encontrada é uma pista relevante das populações que passaram pelo local e modificaram o ambiente. São Paulo parece ser uma região onde houve um importante encontro de populações vindas do Norte, do Leste, do Pantanal e das Pampas.

O achado ainda não foi datado, mas a estratigrafia dos objetos encontrados, consideravelmente funda, leva a crer que as marcas tem uma idade bastante antiga.

Os pesquisadores, em associação com o Centro Interdisciplinar de Tecnologias Interativas (CITI-Poli), estão desenvolvendo modelos virtuais nos laboratórios da Escola Politécnica dos sítios encontrados em SP. O projeto é coordenado pelo diretor do CITI, professor Marcelo Zuffo, do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos.

Segundo Zuffo, para a modelagem, são necessários três processos: o escaneamento a laser, o escaneamento via fotogrametria – dezenas de milhares de fotos feitas por drones – e a fotogrametria com câmeras de 360 graus.